O “não” ao antigo visual de Lola Bunny e a hipersexualização nos filmes infantis

Mudança apresentada nas primeiras imagens do filme Space Jam 2: A New Legacy, continuação da clássica animação de 1996, originou discussões nas redes sociais sobre os traços erotizados da personagem

Por Gabriel Bezerra

Após 25 anos do lançamento de Space Jam: O Jogo do Século, da Warner Bros — onde Michael Jordan, astro do basquete estadunidense, é introduzido no icônico universo dos Looney Tunes — foi anunciada na última semana a data de lançamento da continuação do nostálgico longa-metragem. Dessa vez, Pernalonga e seus amigos irão contracenar com LeBron James, ídolo do esporte na atualidade, e a estreia está sendo ansiosamente aguardada por fãs de todas as idades.

Lola Bunny, que na primeira versão teve o papel de integrante da equipe de Jordan e de amor não correspondido de Pernalonga, teve a sua presença confirmada na nova obra, sendo alvo de discussões entre fãs da saga que opinaram acerca da mudança estética do desenho da personagem. No filme de 1996, Lola era representada como uma coelha com traços exageradamente antropomórficos e sexualizados, sendo vista majoritariamente como um objeto de desejo e conquista e não como uma jogadora de basquete.

Em entrevista ao portal Entertainment Weekly, o diretor Malcolm D. Lee explicou o motivo da mudança: “Estamos em 2021, é importante refletir a autenticidade de personagens femininas fortes e capazes. Por isso, repaginamos muitas coisas, não apenas sua aparência, como ter certeza de que ela tinha um comprimento adequado em seus shorts e era feminina sem ser objetificada, dando a ela uma voz real.”

No Twitter, alguns internautas criticaram a modificação, argumentando sobre uma “chata problematização” presente na contemporaneidade, e afirmando que o filme de Lee se tornará um fracasso comercial devido à adaptação. Outros usuários apoiaram a decisão do cineasta e trouxeram para a rede social o questionamento a respeito da forma na qual as personagens femininas são apresentadas pela mídia, com erotização de seus traços e personalidades, independentemente do público visado. 

A mudança no visual de Lola Bunny não foi a única alteração que gerou debates entre os fãs. Na última semana, o site The Hollywood Reporter noticiou que o personagem Pepe Le Pew não fará parte do elenco da continuação de Space Jam, mesmo estando no primeiro filme da saga. Nos últimos anos, Pepe, um gambá que tenta esforçadamente conquistar Penélope, uma gata cujo o seu amor não é correspondido, foi apontado por representar e normalizar a cultura do assédio sexual, motivando a sua ausência em Space Jam 2: A New Legacy.

As mudanças de Malcolm D. Lee são uma tentativa de corrigir um erro que persiste na cultura cinematográfica — a hipersexualização da mulher. A inserção dessa falha em um longa-metragem onde a maioria do público é composto por crianças e adolescentes favorece a permanência deste obstáculo, tendo em vista a influência que produções audiovisuais têm sobre a formação dos jovens consumidores.

Lola Bunny na sequência de Space Jam será, nas palavras de Lee, “mais do que uma objetificação, será uma personagem completa assim como os demais, e a melhor jogadora do time, atrás somente de LeBron James”. Para os verdadeiros fãs do sucesso de bilheteria dos anos 90, isso é tudo que se espera: basquete e diversão.

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