Gucci Virtual 25, o tênis “acessível” da Casa Gucci

Com a expansão das aplicações da realidade aumentada, marcas desenvolvem novas possibilidades para a tecnologia. A mais nova veio na forma de produto, o tênis virtual

Por Layla Abdon

A Casa Gucci vende pares de tênis na faixa de 580 a 1250 dólares (3 a 7 mil reais, aproximadamente) em seu site. No mês de março, ela lançou um novo modelo “acessível” pelo preço de apenas 9 dólares, equivalente a cerca de 50 reais. A diferença é que o acesso ao produto é apenas digital, já que o lançamento corresponde a um calçado virtual. O Gucci Virtual 25 segue a tendência do mercado de aplicar a realidade virtual e aumentada não apenas como ferramenta, mas também na forma de produtos comercializáveis.

O produto foi desenvolvido em parceria com a Wanna, empresa de tecnologia do Leste Europeu especializada em moda. Estamos vivenciando um momento de ascensão das roupas virtuais. Entre produtos de moda para serem utilizados em videogames a acessórios virtuais que combinam com os feeds das redes sociais, a linha que divide o real e o digital torna-se cada vez mais tênue.

De acordo com o portal LiveScience, realidade aumentada (RA) “é o resultado do uso da tecnologia para sobrepor informações ao mundo que vemos”. A RA funciona por meio de aparelhos que filmam o mundo real e simulam uma interação em tempo real e em 3D com objetos virtuais, animações, textos e sons que o usuário visualiza a partir da tela. Hoje, apesar de pouco explorada, ela está presente no cotidiano de muitos brasileiros por meio de smartphones. Utilizamos filtros em RA nas redes sociais, em jogos como Pokémon GO, entre outros.

Empresas como a Microsoft e a Google já desenvolvem óculos que permitem uma imersão ainda maior para vivenciar as tecnologias emergentes. O Holo Lens 2, da Microsoft, e o Google Glass, da Google, demonstram grandes possibilidades, como construção e manipulação de hologramas, disposição de móveis virtuais em um cômodo e vídeo chamadas holográficas. No entanto, com preços ainda muito elevados, as soluções ainda não são acessíveis ao grande público.

No mundo da moda, não é a primeira vez que a realidade aumentada é utilizada. Em seu aplicativo, a própria Gucci oferece a funcionalidade de experimentar tênis e relógios antes de realizar a compra. No Big Brother Brasil, por exemplo, a ferramenta foi usada para a produção de um desfile de hologramas, pela marca C&A, quando os efeitos da pandemia não permitiram a realização de um evento real. A proposta gerou resultados significativos: o fluxo no aplicativo da marca aumentou em mais de 70%.

Em um primeiro momento, é natural que esse tipo de ação gere maior engajamento, visto que muitas das iniciativas com a RA ainda são novas no mercado. A cada implementação inovadora, as empresas e seus produtos fazem manchetes na imprensa. Ademais, a publicidade está aproveitando a ferramenta para proporcionar experiências mais interativas com as marcas, tornando o processo de compra rápido e personalizado.

Desde o início da pandemia, as marcas e os usuários começaram a enxergar a importância que a RA pode ter em nossas vidas, acima de tudo quando o serviço proporciona entretenimento e facilita a jornada do consumidor. Porém, a princípio, o lançamento de um tênis quase “imaginário” causa estranhamento, já que novidades pioneiras e isoladas como esta podem ser vistas de forma negativa. Ou seja, a utilidade material dos produtos presentes na categoria de sapatos passa a não ser determinante para a compra e o consumo é o próprio fim e não meio.

No entanto, se essas invenções se tornarem parte integrante do nosso dia a dia, como indicam as especulações de especialistas, produtos como o Gucci Virtual 25 têm o potencial de dominar o mercado. Sergey Arkhangelski, CEO da Wanna, prevê que “em cinco ou talvez dez anos, uma fatia relativamente grande da receita das marcas de moda virá de produtos digitais”. Sabemos que o valor do produto depende de diversas variantes, como por exemplo o custo de produção e utilidade. Nesse sentido, cabe a seguinte reflexão: como a comunicação criará uma nova necessidade para valorizar e normalizar a tendência?

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