INFLUENCERS E MÍDIAS DIGITAIS

O papel da internet na politização dos jovens

Por Luiza Melo

Com a internet se tornando uma grande ferramenta de produção de conteúdo e informação nos últimos anos, os jovens muitas vezes optam por se informar politicamente por meio de personalidades do Instagram ou YouTube. Uma pesquisa realizada pela socióloga Esther Solano, professora de Relações Internacionais na USP (Universidade de São Paulo), ilustra bem essa problemática da politização de jovens por meio das mídias sociais e dos ditos “influencers digitais”. O estudo “Juventude e Democracia na América Latina” contou com entrevista de jovens da América Latina com idades entre 16 e 24 anos. Quatro países entraram na pesquisa: Brasil, Colômbia, México e Argentina.

Relutância à política tradicional 

Em entrevista dada à Folha, em 26 de janeiro de 2022, a pesquisadora conta sobre a observação de uma certa resistência dos jovens em relação aos partidos políticos tradicionais e à política brasileira. Por não se sentirem inteiramente representados ou não entenderem como de fato se dá a estrutura política dentro desses partidos, acabam não se aprofundando sobre o assunto. 

Muitos não sabem sobre o básico, como o papel do Presidente da República e as dimensões das esferas federais, estaduais e municipais. Optam, então, na maioria das vezes, por seguir determinada opinião que um influenciador manifestou em algum vídeo ou rede social sem de fato se envolver politicamente.  

Das redes sociais ao parlamento

Com as manifestações de 2013, o Brasil tomou um rumo diferente.  A explosão de youtubers com viés neoliberal foi astronômica. Vídeos criticando a gestão do governo Dilma estouraram em todos os lugares da internet. Kim Kataguiri, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), foi uma dessas personalidades que teve o seu vídeo viralizado e atualmente ocupa uma cadeira de deputado federal na Câmara, no partido Podemos, em São Paulo. 

Outra figura que hoje ocupa um cargo de deputado estadual é Arthur do Val, também do Podemos. Seguindo um caminho parecido ao de Kim, Arthur começou a falar de política no seu canal do YouTube “Mamãe Falei”, onde costumava abordar pessoas na rua e perguntar sobre opiniões acerca da economia. Em 2016, o youtuber começou a adotar uma opinião bastante dura sobre o que ele chamava de “militância cega” e começou a ganhar notoriedade e seguidores. Hoje ele também integra o MBL. 

MP revela que MBL operava gabinete do ódio

Ilustração: The Intercept Brasil 

Estratégias de comunicação

Em contrapartida à direita, a esquerda parece que perdeu tempo para apresentar as suas ideologias e chegar de forma mais orgânica aos jovens. Enquanto em 2013 os ideais liberalistas chegavam com muita facilidade ao público, a oposição não parecia se esforçar para fazer o mesmo. Sendo forte adepta dos textos acadêmicos e linguagens mais rebuscadas, ela acabou causando um certo afastamento da geração mais nova na época. 

Hoje, no entanto, a situação parece um pouco diferente. A geração Z tem se preocupado bastante com pautas de direitos humanos, que geralmente estão ligadas ao viés esquerdista e ao ex-presidente Lula, que, depois de ter se tornado um forte nome para a candidatura das eleições em 2022, vem adotando medidas para se comunicar  com os jovens através das redes sociais, instrumento usado pelo presidente Bolsonaro de um modo geral.

A corrida presidencial começou antes mesmo das candidaturas oficiais. A competição anda acirrada para ver quem consegue alcançar mais pessoas através das redes, especialmente do Twitter. 

O futuro é da nova geração

Sem os jovens ocupando os partidos, a Câmara, o Congresso Nacional e as esferas políticas é difícil acontecer a ruptura do sistema que eles mesmos criticam e  julgam falho. Para que o Brasil possa respirar, é preciso que esses lugares, que são de direito, sejam apropriados pela juventude. Jovens brasileiros, engajai-vos!

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