Anitta é “Lulalá”: como o posicionamento dos famosos influencia as eleições

Celebridades declaram seus votos explicitamente em 2022. Ao contrário do que se deu em 2018, não há espaço para ficar “em cima do muro”

Por Gabriel Benevides

A cantora e empresária Anitta declarou seu apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Em um tuíte publicado no dia 11 de julho, a artista disse que votará em Lula como forma de garantir a derrota do pré-candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

Lula parece gostar do apoio de Anitta. Sempre que pode, agradece e, algumas vezes, celebra a intenção de voto da cantora. O ex-presidente chegou até a fazer dancinhas para comemorar.

Reprodução/Telegram/Canal Lula

Anitta não é a primeira estrela a apoiar um terceiro mandato do petista. Bruno Gagliasso, Pabllo Vittar, Glória Groove, Luísa Sonza, Caetano Veloso e Gilberto Gil também mostraram-se favoráveis à candidatura de Lula.

Do outro lado da disputa, Ronaldinho Gaúcho, Zé Neto, Gusttavo Lima, Ratinho e Antônia Fontenelle são algumas das celebridades apoiadoras de Bolsonaro na disputa pelo Planalto. 

Independentemente da escolha eleitoral, os famosos podem exercer uma grande influência com seus posicionamentos políticos e eleitorais, afinal, além de uma clara influência cultural, as celebridades somam centenas de milhões de seguidores nas redes sociais. 

EM CIMA DO MURO

Um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicado em 2018, fez uma análise de posts políticos das celebridades durante as eleições daquele ano. 

Segundo a pesquisa, quase 90% dos posts políticos de celebridades bolsonaristas faziam referência direta ao então deputado federal, enquanto apenas 10% deles eram de críticas à candidatura de seu maior rival naquela eleição, Fernando Haddad. 

Para o ex-prefeito de São Paulo, a situação foi diferente. Apenas 33% das publicações de celebridades endossavam claramente apoio a Haddad, enquanto os outros 67% remetiam apenas a discursos do tipo “não vote em Bolsonaro”. 

Ou seja, mais famosos apoiaram explicitamente o nome de Bolsonaro quando comparado a Haddad. Os resultados disso – juntamente a uma série óbvia de outros fatores – puderam ser observados em 1 de janeiro de 2019, quando Bolsonaro subiu a rampa do Planalto e assumiu a Presidência.

Os números mostram que um posicionamento político direto tem mais efeito. Não adianta fazer referências a quem não votar, caso o artista realmente deseje a vitória de seu candidato, é preciso escolhê-lo, vincular sua imagem a seu nome e divulgá-lo ao máximo. Não é possível ficar “em cima do muro”.

Isso explica o porquê de Lula ter ficado tão contente com a menção exata de seu nome por Anitta. Por mais que a cantora tenha se posicionado contra Bolsonaro, isso não era garantia de conversão de opinião política de seu – grande, diga-se de passagem – público. 

ENGAJAMENTO AO ADVERSÁRIO

Pedir que um determinado público não vote em um candidato pode ser uma estratégia que sai pela culatra. Nas eleições de 2018, o movimento #Elenão, que pedia o boicote a Bolsonaro nas urnas, não teve o efeito desejado. 

Apesar de várias pessoas terem aderido à causa, incluindo famosos, as intenções de votos para Bolsonaro continuaram a crescer. Pouco após o lançamento do movimento, Bolsonaro continuou a ganhar popularidade de acordo com as pesquisas do Datafolha.

Reprodução/G1

Até mesmo a má publicidade gera marketing e visibilidade. Mesmo quando falamos mal de alguém, essa pessoa ganha atenção. Quando famosos com números altíssimos nas redes decidem fazer o mesmo, é pedir para o candidato entrar nos rankings de assuntos mais comentados na web. 

ESTRATÉGIA FALSA DE EQUILÍBRIO

Em 2018, muitas celebridades declararam voto em candidatos considerados, hoje, de terceira via, como Ciro Gomes. O antipetismo vigente na época justificaria essa escolha. Afinal, um possível mandato do PT era visto por muitos como tão danoso quanto um governo de Bolsonaro. 

Naquelas eleições, muitas das estrelas mais alinhadas à esquerda só foram declarar apoio a Haddad após o resultado do primeiro turno, quando viram que não havia mais opção. Em 2022, elas optaram por endossar o maior nome esquerdista, Lula, desde o início das pré-candidaturas. 

Pabllo Vittar em 2018, por exemplo, primeiramente disse que votaria em Ciro Gomes (PDT), candidato que, apesar de relativamente popular, não possui muitas chances de assumir o Planalto. Este ano, a drag queen é abertamente “Lulalá”. 

ALÉM DAS ESTRELAS

Apesar de os números das celebridades serem muito mais expressivos que os das pessoas consideradas anônimas, os posicionamentos políticos aplicados aos ditos comuns também importam. 

Se qualquer cidadão deseja apoiar ou boicotar um candidato, independentemente de qual seja, a estratégia de neutralidade não será a melhor. Os denominados “isentões”, sejam eles famosos ou anônimos, pouco influenciam nos rumos políticos do país.

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