O sucesso do podcast Mano a Mano

Apresentado por Mano Brown, o programa é reconhecido pelas entrevistas com convidados de diferentes áreas e alcançou o segundo lugar entre os mais ouvidos no Spotify em 2021 

Por Sthefany Rocha

Produzido pelo streaming de áudio Spotify e apresentado pelo rapper Mano Brown, integrante de um dos grupos de rap mais importante do Brasil, o Racionais MC’s, a primeira temporada do podcast Mano a Mano estreou em agosto de 2021. Já no ano de lançamento, conquistou o segundo lugar no ranking de podcasts mais escutados no Spotify e o episódio mais ouvido dentro da mesma plataforma.

O sucesso do Mano a Mano não é à toa, além de disponibilizar um conteúdo didático e acessível para o público, o podcast de entrevistas é reconhecido por trazer convidados relevantes e controversos das mais diversas áreas de atuação no Brasil, como política, arte, saúde e filosofia. Mano Brown deixa claro na vinheta de apresentação que a intenção do programa é ampliar o debate e trazer diversidade de pensamentos. 

“A ideia do podcast Mano a Mano é trazer a diversidade de ideias e pensamentos sem repressão. Com um convidado diferente, controverso, amado ou odiado, vocês decidem”, diz Mano Brown. 

Outro ponto essencial para ótima audiência e qualidade da informação divulgada no podcast é a consultoria jornalística feita por Semayat Oliveira, que, ao lado de Brown, co-apresenta o programa. Oliveira é jornalista, escritora, documentarista e uma das fundadoras do “Nós, mulheres da periferia”. O papel desempenhado por ela é fundamental para formulação das perguntas e correção de algumas informações que são ditas durante os episódios. Além disso,  agrega novas perspectivas para as discussões, já que representa um lugar de fala como mulher negra.

Ao analisar as participações na primeira temporada, que ocorreu em 2021, fica evidente a proposta do podcast. Brown convidou de jogadores de futebol a políticos, como o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vereador Fernando Holiday (Novo-SP). A conversa com Holiday foi a que mais surpreendeu a base de fãs do rapper e gerou questionamentos nas redes sociais, já que os dois defendem e representam espectros políticos opostos. Apesar das divergências, o episódio não deixa de ser provocativo e dinâmico, sem abrir mão das suas concepções individuais. Em diversos momentos Mano Brown questiona posicionamentos do vereador e tenta entender o porquê de Holiday defender determinados retrocessos, como o fim das cotas raciais e o pagamento de mensalidades nas universidades públicas. 

Personalidades como Glória Maria (jornalista), Taís Araújo (atriz), Lázaro Ramos (ator), Djonga (rapper), Ludmilla (cantora), Dr. Drauzio Varella (médico), Djamila Ribeiro (filósofa) e entre outros, também participaram da primeira temporada. 

O Mano a Mano continuou se destacando pela pluralidade dos entrevistados, na segunda e terceira temporadas, que foram ao ar neste ano de 2022. Novas participações marcaram o programa por conta da relevância no cenário brasileiro e internacional, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o neurocientista Sidarta Ribeiro, o cantor Seu Jorge, a filósofa Katiuscia Ribeiro, o apresentador Gregório Duvivier e o cantor Emicida. Com destaque para os episódios com a intelectual negra e fundadora do Geledés, Sueli Carneiro, que trata da formação das estruturas sociais do Brasil, e a filósofa estadunidense e ativista pelos direitos do negros e das mulheres, Angela Davis, a conversa girou em torno da luta pela liberdade, feminismo negro, além de citar o legado de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro  assassinada em 2018.  O episódio com Angela Davis é o único que está disponível em vídeo.

Como surgiu o programa?

De acordo com Brown, a intenção de criar um podcast surgiu em 2020, quando o país vivia um dos piores momentos de contaminação pela Covid-19. Sem perspectiva de quando voltaria aos shows e para controlar a ansiedade do isolamento social, o rapper começou a estudar temas do seu interesse, como filosofia africana, política, sociedade e teologia. “Em todas as reuniões com meus amigos, eu começava a falar muito disso. Daí eles falaram ‘Pô, você deveria fazer um podcast para contar as suas histórias, você é um contador de histórias nato’. Aí eu falei com meu filho Jorge, ‘O que você acha?’ e ele disse que seria legal”, comenta Mano Brown em uma coletiva de lançamento do podcast

É incontestável que o podcast, como um novo modelo de comunicação, está cada vez mais ganhando espaço nas casas dos brasileiros, no formato entrevista, noticioso, reportagem ou narrativo. Segundo matéria publicada na Exame, o Brasil é o terceiro país que mais consome podcast no mundo, com mais de 30 milhões ouvintes, e uma das justificativas é a praticidade, uma vez que a grande maioria das pessoas ouvem os conteúdos paralelamente a outras atividades. 

Dessa forma, com discussões leves e objetivas, sem deixar de abordar assuntos sérios e latentes para o Brasil, o programa Mano a Mano é um importante canal para debater e conhecer ideias, de forma prática e direta, o que contribui para a democratização da informação.

Como Mano Brown sempre ressalta durante os episódios, a juventude está conectada a tudo e quer se informar cada vez mais rápido. 

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