Quando elas não querem ter (mais) filhos

Qual o papel da mídia quando a burocracia impede a mulher de planejar sua família?

Por Dayanne Soares

Em 21 de abril, o Correio Braziliense publicou no Blog do Servidor que a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) entraria com pedido de urgência para votação do Projeto de Lei 7364/2014 de sua autoria. O intuito do projeto é derrubar a obrigatoriedade de consentimento do marido para esterilização voluntária da mulher. No Dia Internacional da Mulher (8), veículos como Metrópoles e Jota publicaram sobre uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) protocolada pelo PSB no Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto o Projeto de Lei quanto a ADI questionam a determinação que impede a realização da cirurgia sem autorização do cônjuge.

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Silêncio na mídia: onde está a crise do SUS e das universidades nos jornais?

Melissa Duarte, especial para o SOS Imprensa

Cobertura da imprensa é pontual quando se trata de hospitais públicos e de instituições de ensino

Hospitais com mais pacientes do que médicos conseguem atender; choro da mãe desesperada com filho doente sem atendimento; idosa que não consegue marcar cirurgia; bebê prematuro que não dispõe de UTI neonatal. Escolas públicas em que crianças não conseguem alimentar o cérebro por causa do estômago vazio; falta estrutura e o que sobra é pouco — quando sobra. Universidades públicas em crise orçamentária, com possibilidade de greve e, talvez, até de fechar as portas, uma vez que não possuem verba suficiente para mantê-las.

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Golpe de 2016: como a mídia mostrou o futuro da democracia no Brasil

Por Giulia Soares e Lorena Fraga

Frases como “Universidade de Brasília (UnB) ofertará matéria que trata o impeachment como golpe” foram manchete em diversos jornais do Brasil durante a última semana de fevereiro. Todas elas remetem à disciplina do Instituto de Ciência Política (IPOL/UnB), “Tópicos Especiais 4 – O Golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, ofertada pelo professor Luís Felipe Miguel.

Quem trouxe a primeira matéria acerca do tema foi o portal Poder 360. Nela, o jornalista Eduardo Barreto faz questão de dizer que quem mantém a universidade é o Governo Federal, comandado por Michel Temer, a quem, agora, se referem como golpista. Ao mesmo tempo, deixa claro que todas as federais possuem autonomia para criar disciplinas sem censura do Estado e traz breve resumo da história marcada de luta da UnB, como instituição de ensino mais perto do poder na Ditadura Militar e que sofreu várias repressões.

À época, o ministro da Educação, Mendonça Filho, anunciou que entraria com ofício em diversos órgãos para barrar a disciplina. “Estão transformando o curso numa extensão do PT e dos seus aliados”, afirmou. A nota oficial dele nos fez sentir como se estivéssemos em um estado de exceção, quando direitos constitucionais são revogados, tendo em vista que a autonomia universitária está prescrita na Constituição Federal de 1988.

Após isso, aproximadamente 22 universidades federais de todo o País anunciaram a criação de disciplinas semelhantes. Todas elas reforçaram que têm autonomia para criação de cursos e ir contra isso seria censura.

Semanas depois, Mendonça Filho declarou que preferiu não levar adiante as ações contra a matéria. Ainda assim, a autonomia das universidades continuou ameaçada, já que o Ministério Público Federal do Goiás anunciou que investigaria disciplina parecida criada na Universidade Federal de Goiás (UFG). Segundo eles, o curso é uma propaganda político-partidária com utilização de bens públicos em prol do Partido dos Trabalhadores (PT).

Em nota oficial, a UnB reitera compromisso com a liberdade de expressão e de opinião valores fundamentais para as universidades, que são espaços, por excelência, para o debate de ideias em um Estado democrático.

O papel da mídia

A cobertura fervorosa da imprensa em torno do fato impressionou. Entre reproduções da notícia inicial sobre a disciplina do IPOL e matérias falando sobre outros cursos peculiares ofertados pela UnB, como a do portal Metrópoles, questiona-se o motivo de tamanha repercussão. Qual seria a relevância, o valor-notícia desse fato?

O que chamou a atenção dos veículos de notícia foi a matéria conter, em seu título, a palavra “golpe”. Se não fosse por isso, é muito provável que passasse despercebida, já que é uma disciplina optativa de Tópicos Especiais, em que o professor possui a liberdade de criar o conteúdo. “Trata-se de uma disciplina corriqueira, de interpelação da realidade à luz do conhecimento produzido nas ciências sociais, que não merece o estardalhaço artificialmente criado sobre ela”, destacou o docente Luís Felipe Miguel, em seu Facebook.

O receio no uso da palavra pode ser justificado pelo fato de que, num país com uma democracia tão fragilizada, qualquer alusão a um governo ditatorial e antidemocrático é repudiada e silenciada, uma vez que a ferida dos anos seguintes a 1964 ainda não foi fechada.

Se, por um lado, a mídia exerce um de seus papéis, que é informar, e se afasta do debate, por outro, reprime uma das principais características da democracia ao levar adiante o questionamento se a disciplina deveria ou não ser ministrada. Segundo o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros documento que rege o exercício da profissão no País em seu artigo 6, inciso III: “É dever do jornalista lutar pela liberdade de pensamento e expressão”. Aliás, não só do profissional, mas de toda a sociedade, uma vez que a mídia é conhecida como o “quarto poder” que fiscaliza o Estado e garante a democracia. Sendo assim, a divulgação da disciplina com intuito raso e sensacionalista fere esse código em uma das principais cláusulas.

Além disso, o jornalista Eduardo Barreto também desrespeitou o inciso que diz que não se pode usar o jornalismo para fomentar intolerância ou violência. É possível perceber, na caixa de comentários dos veículos que publicaram a notícia, ataques contra a universidade, o professor e seus alunos, o que faz com que, mais uma vez, se questione o propósito da divulgação. A ascensão de Michel Temer ao poder é motivo de debate acalorado, sendo muitas dessas discussões espaço para discursos de ódio. Para se ter uma ideia, foi necessário reforçar a segurança da sala de aula.

Tanto jornalistas quanto cidadãos precisam entender que impedir ou tentar calar qualquer debate enfraquece a democracia, principalmente quando é feita contra a autonomia universitária. Jornalistas, especialmente, devem sempre prezar para, acima de tudo, cumprirem a função social de proteção à democracia e às liberdades de expressão e de pensamento, as quais, talvez, sejam uma das coisas que mais dignificam a profissão e a tornam tão importante em qualquer sociedade.

 

Bílis, ódio e mau sentimento: suprema indigestão entre Gilmar e Barroso

Por Luiz Neto

Na última quarta-feira (21), os ministros Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso entraram em um show pirotécnico de insultos numa sessão do Supremo Tribunal Federal (STF). Era sobre uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) acerca do fim das doações ocultas em campanha eleitoral, ou seja, quem doa não precisa se identificar, o que facilita fraude e lavagem de dinheiro. Dentre as muitas farpas trocadas, estavam acusações veladas de corrupção e transtorno psiquiátrico.

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De quem é a culpa, afinal?

Por Ana Luisa Araujo

O recente caso da auxiliar administrativa Kelly Cristina Cadamuro, de 22 anos, morta na última quarta-feira após dar uma carona combinada em grupo de WhatsApp, tem relevância para a mídia por diversas causas. A imprensa, muitas vezes, se foca no fato de ela ter dividido o trajeto com um desconhecido. Por isso, diversas manchetes tendem a culpabilizá-la pelo crime e comentários das reportagens também seguem essa linha.

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Amor ou pedofilia? A polêmica relação de Caetano Veloso e Paula Lavigne

Por Melissa Duarte

Que Caetano é um dos maiores cantores e compositores brasileiros, todo mundo sabe. Que lutou contra a Ditadura Militar, também. O que muitas pessoas talvez desconheçam é que o músico começou a namorar e tirou a virgindade da segunda esposa, a produtora cultural Paula Lavigne, quando ela tinha 13 anos e ele, 40. Eles se casaram em 1986, se separaram em 2005 e retomaram o enlace no ano passado. Juntos, tiveram dois filhos: Tom, 20, e Zeca, 25.

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#SOSNews Festival Piauí Globonews de Jornalismo

Por Victor Barbosa

No último final de semana, nos dias 7 e 8 de outubro, aconteceu em São Paulo mais uma edição do Festival Piauí Globonews de Jornalismo. Com o tema O Que Aprendi, a 4ª edição do evento trouxe nove jornalistas internacionais renomados para contar vivências profissionais, trazendo reflexões sobre a prática profissional e sobre a globalização, ao menos na parte ocidental do globo, de fenômenos como as fake news. Continuar lendo