#SOSNews Festival Piauí Globonews de Jornalismo

Por Victor Barbosa

No último final de semana, nos dias 7 e 8 de outubro, aconteceu em São Paulo mais uma edição do Festival Piauí Globonews de Jornalismo. Com o tema O Que Aprendi, a 4ª edição do evento trouxe nove jornalistas internacionais renomados para contar vivências profissionais, trazendo reflexões sobre a prática profissional e sobre a globalização, ao menos na parte ocidental do globo, de fenômenos como as fake news. Continuar lendo

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Agro é tech?

Por Bruna Yamaguti e Giulia Soares

Desde 2016, a Globo vem exibindo incessantemente a campanha “Agro é tech, agro é pop, agro é tudo” nos intervalos das novelas, jornais e programas. A ideia é mostrar que os produtos agrícolas são a base da economia brasileira, estão em todos os lugares e empregam milhões de pessoas. Porém, a verdade por trás da grande indústria agropecuária seria nada agradável de exibir em horário nobre no principal veículo televisivo do País.

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O quê que a blogueira tem?

Por Ana Luisa Araujo

Não é a primeira vez que falamos sobre Instagram aqui no SOS Imprensa. Mesmo que a maior parte do nosso foco esteja nele, o tema não pertence exclusivamente a ele. Famosos sempre influenciaram a vida das pessoas, mas, com a internet e as mídias sociais, passou a acontecer de forma mais ampla. Outros personagens apareceram e ganharam visibilidade nos últimos anos e é deles que vamos falar no texto de hoje. Deles não, delas: as blogueiras. Continuar lendo

Em tempos de Instagram, cada clique é notícia

Por Melissa Duarte

Talento, aptidão, ensaios. Novelas, séries, filmes, shows, desfiles, dinheiro. Qual a fórmula de sucesso para celebridades? Não é novidade que elas sejam produtos midiáticos e ganhem fama e visibilidade. O trabalho e, mais ainda, a vida pessoal dos artistas geram interesse no público. Flashes, câmeras e fotos são causa e consequência dessa exposição — e as mídias sociais têm papel fundamental nisso. Dessa maneira, não são raras matérias de fofoca sobre eles. Porém, até que ponto podem ser consideradas notícias?

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Jeitosinha e o cinema na contramão da evolução

Por João Miguel Bastos

Filmes em um único plano sequência, flash mob realizado em praça pública, pessoa vestida de palhaço parada no meio da rua e alguém vestindo camiseta com o rosto do Naldo Benny pintado pelo Romero Britto. Tudo isso chama atenção. Em uma quarta-feira da 50ª edição do Festival de Cinema de Brasília, um longa-metragem despertou os olhares. Continuar lendo

Ode à representatividade feminina: primeiros passos rumo ao protagonismo

Por Fernanda Gonçalves

Através dos séculos, mulheres vêm sendo representadas, na maioria das vezes, como coadjuvantes na história e na mídia. Uma pesquisa realizada pelo Center For The Study of Women in Television and Film (Centro para o Estudo de Mulheres na televisão e no cinema, em tradução livre) indica que somente 29 dos 100 filmes de maior bilheteria em 2016 tiveram uma protagonista feminina. Nos livros de História, o cenário não é muito diferente: raras exceções de mulheres são conhecidas por seu protagonismo, como Joana D’Arc, princesa Isabel e Cleópatra. Todavia, com a ascensão de movimentos feministas e maior liberdade informacional, a mídia vêm pouco a pouco realocando-as na História.

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Política das 21h

por Pollyana Fonseca

Vida pessoal dos políticos é passada para o horário nobre.

O que muitos jornais precisam e procuram é ter visibilidade, chamar a atenção do público. Na era digital, em que likes e visitas fazem a diferença, fofocas se tornam o tema principal. A tentativa de converter escândalos políticos em roteiros de filme, ou usar a vida pessoal dos envolvidos como pauta, é uma situação comum. Tão comum que praticamente todos os veículos se valem esse tipo de notícia, cheia de comparações e trocadilhos.

Joesley Batista, um dos donos da JBS e réu no processo da Operação Lava Jato, é o novo protagonista do drama da mídia. Na terça-feira (05/09), um áudio do STF mostrou uma conversa entre Joesley e Ricardo Saud, diretor de relações institucionais do grupoO conteúdo era a vida pessoal e sexual do empresário. A notícia saiu em, pelo menos, cinco dos maiores jornais do país e mostrou, com detalhes, todo o material do áudio, narrado, na maioria das vezes, como o roteiro de um livro.

Nas quatro horas de áudio, as únicas partes importantes para o jornalismo que o publicou, de toda a conversa, foram: o relacionamento do empresário com a jornalista Ticiana Villas Boas, os casos extraconjugais e gostos sexuais. No entanto, o que a mídia está tentando fazer, qual a relevância das preferências sexuais de Joesley, o que faz desse assunto algo tão importante para ser uma pauta?

Quando a mídia traz partes da vida pessoal de Joesley, o torna um personagem, alguém que tem uma vida interessante para ser seguida, assim como faz com os artistas. Transforma toda a narrativa em uma história para que o público queira saber o que vai acontecer nos próximos capítulos. A operação da polícia se converte em uma novela de horário nobre.

O valor notícia, nesse momento, é aquilo que vai causar alarde, tirar o foco da investigação e das acusações sobre Batista, ao mesmo tempo em que reforça os estereótipos de gênero ao mostrar a relação tradicional e desigual que ele mantém com a esposa e, ainda, do que é ser homem branco e rico na sociedade, alguém poderoso e controlador, que não tem medo de ser penalizado.

Um exemplo desse fenômeno foi a notícia postada no portal Terra. O texto compara atitudes de Batista com as de Frank Underwood, personagem da série House Of Cards, e mostra como ambos podem ser parecidos na maneira de agir e de posar para fotos. A série, sucesso da Netflix,  e a correlação com a vida real fazem com que Joesley Batista se torne um ícone da cultura pop.

Mas qual o problema? O problema é que a mídia tem o poder de agendar e interferir no que a sociedade pensa, além de disseminar opiniões e posições políticas. Sendo assim, a imagem de vilão hollywoodiano passada por Joesley carrega um “charme atraente” para o público, que escolherá entre amá-lo e odiá-lo. E claro, devido a sua maior exposição, ele será o maior responsável e lembrado entre os vários indiciados na Lava Jato.

O dever do jornalista é saber o que é ou não relevante para a sociedade e, mais do que nunca, o momento político que o país está passando, pede profissionais treinados e capacitados para tal. Da sociedade, que consome diariamente o produto do jornal, é dever ter um olhar crítico sobre o que está sendo informado. Caso contrário, as notícias se tornarão apenas relatos de crônicas, fofocas da semana ou a próxima novela das 21h.