O QUE É TERRORISMO?

Por que a mídia escolheu o termo para se referir aos vândalos pró-golpe

Por Luiza Brandão

Como dizia o cantor e compositor Tom Jobim, “o Brasil não é para principiantes”. No domingo, dia 8 de janeiro, o país assistiu — mais uma vez — à depredação de bens públicos que começou como simples e inofensivas manifestações. Bolsonaristas radicais invadiram as sedes dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) em Brasília e instauraram o caos, destruindo desde os espaços ocupados pelas autoridades e seus bens materiais (como as togas dos ministros do Supremo Tribunal Federal) até as obras de arte e símbolos nacionais.

Mas por que desta vez, diferente de todas as outras, a mídia escolheu chamar esses vândalos de terroristas?

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SOTAQUES E SEUS ESTEREÓTIPOS NAS NOVELAS

Como as novelas reforçam estereótipos ao tentarem reproduzir sotaques regionais 

Por Júlia Cerejo

A nova novela da escritora e roteirista Glória Perez, Travessia — que começou na Rede Globo em outubro — acendeu, nas redes sociais, debates a respeito do uso dos sotaques nas atuações das tramas. O estopim do estranhamento pelo público foi a atuação da influencer Jade Picon, de 21 anos, que interpreta uma jovem carioca. Nascida em São Paulo, Jade vem sofrendo críticas pela maneira como reproduz a pronúncia do Rio de Janeiro. 

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“Pra que abortar? É só entregar para adoção”. Será?

O caso da criança que teve o pedido de interrupção da gravidez negado após sofrer violência sexual e a exposição da entrega voluntária para adoção, depois que atriz Klara Castanho foi vítima de estupro, mostram que discursos que condenam o aborto e colocam a doação como uma solução não ocorrem na prática. Falas do tipo não são fruto de preocupação com a vida, mas, sim, de controle sobre corpos femininos

Por Geovana Melo

Na manhã de sábado (25/6), um assunto rondou as redes sociais logo cedo. A apresentadora da Jovem Pan e pré-candidata a deputada federal Antonia Fontenelle contou, em live durante a semana, que uma atriz, de 21 anos, teria sido vítima de um estupro que resultou em uma gravidez indesejada. No entanto, como a religião da jovem condenava o aborto, a mulher optou por ter o bebê e entregar para adoção. Segundo Antônia, todo o processo foi feito em sigilo, mas o colunista Léo Dias descobriu o caso e entrou em contato com a atriz. Ainda de acordo com o relato da pré-candidata, a jovem confirmou a situação, chorou e disse que se mataria caso a notícia vazasse — fato que a youtuber desconsiderou totalmente ao expor a história. Logo começou-se a especular que se tratava da atriz Klara Castanho. O nome da jovem e dos colunistas viraram um dos assuntos mais comentados das redes sociais e entrou no trending topics do Twitter. 

Horas depois, já de noite, Klara Castanho publicou uma carta aberta, em que considerou como “o relato mais difícil” da vida dela. Contou que foi vítima de um estupro, que descobriu a gravidez em um estágio avançado, que não tinha condições emocionais de cuidar da criança e que todo o trâmite da adoção foi feito de modo legal, com amparo do Ministério Público — processo que pela lei garante sigilo a ela e a criança. 

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Stranger Things: a problemática do queerbaiting

Após o lançamento da 4ª temporada, o público volta a acusar a série Stranger Things de queerbaiting, quando uma obra indica que um personagem é LGBT, mas não afirma com clareza. Por que produções insistem em perpetuar o marketing maléfico do cinema?

Por Deb Alecrim

No dia 27 de maio, a 4ª temporada da série estadunidense Stranger Things estreou no catálogo da Netflix. O novo capítulo iniciou o arco final da história e prometeu explicar fenômenos não resolvidos ao longo dos anos anteriores. No entanto, o interesse de parte do público está em uma questão que os produtores da série não parecem ter interesse em responder: A sexualidade de Will Byers (Noah Schnapp).

Enquanto o problema principal da história está relacionado a monstros de uma realidade alternativa, o relacionamento que o grupo de protagonistas desenvolve é um grande fator-resolução. Na 1ª temporada, é a amizade entre Eleven (Millie Bobby Brown) e Mike Wheeler (Finn Wolfhard) que motiva El a derrotar o Demogorgon, o primeiro antagonista introduzido. 

Sendo assim, o enredo se dedica a explorar a vida social e romântica de todos os personagens, exceto Will. Tudo que temos são duas cenas que mostram alunos do colégio o chamando de gay. Na primeira cena, logo no 4º episódio do capítulo um, o “valentão” da escola provoca ao falar que Byers está “no reino das fadas, todo feliz e gay.”

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Viver e morrer por uma causa

Como o desmonte das políticas de preservação ambiental influenciaram os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips

Por Pedro Sales

Ninguém quer ser herói pagando o preço da própria vida. O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados em 5 de junho, no Vale do Javari, no Amazonas, e seus corpos foram encontrados dez dias depois, após a confissão de um dos suspeitos do crime. Bruno e Dom morreram porque lutavam pelos povos indígenas, porque se opuseram à invasão de terras e à exploração ilegal. Morreram pela falta de fiscalização e proteção no território indígena.

É, em certa medida, sintomático no Brasil atual que um jornalista estivesse desaparecido no Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, 7 de junho. Esse fato é a síntese de autoridades descompromissadas com o exercício profissional do jornalismo. Um governo que teme a investigação e as denúncias, as quais são realizadas à custa de um extenso trabalho de apuração. O crime contra Bruno e Dom é ainda um reflexo do desmonte das políticas de preservação ambiental durante o governo do Presidente Jair Bolsonaro. Em meio à situação, o jornalismo foi bastante ágil em relembrar uma das frases do presidente, antes mesmo de ser empossado: “Vamos botar um ponto final em todos os ativismos no Brasil” declarou Bolsonaro em uma de suas lives em 2018.

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A objetificação feminina no cinema

Mesmo com uma gradativa mudança de mentalidade, produções hollywoodianas ainda insistem em objetificar personagens femininas

Por Fernanda Fonseca e Maria Eduarda Carvalho

Ancorado em ideais de feminilidade e estereótipos de gênero, o cinema hollywoodiano tem sido, historicamente, um dos principais meios de disseminação de ideologias sobre a mulher. Em razão disso, diversas autoras feministas analisaram essa relação entre representações opressivas e gênero no cinema, sendo marcante a crítica cinematográfica Laura Mulvey. Em seu artigo intitulado “Prazer Visual e Cinema Narrativo”, publicado em 1975 pela revista Screen, a autora estabelece a Teoria do Olhar Masculino (“male gaze”), afirmando que as mulheres são retratadas na mídia a partir de uma perspectiva masculina que as objetifica. O conceito de “male gaze” se estende para a análise de que, no cinema, em vez de existirem por elas mesmas, personagens femininas são comumente utilizadas como acessórios nas histórias escritas e protagonizadas por homens, sendo resumidas apenas à aparência física e à sensualidade.

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Caso Johnny Depp e Amber Heard: a insignificância dos fatos

Como a manipulação de narrativas na mídia e nas redes sociais foi estratégica para inverter o papel da vítima e limpar a imagem de Depp

Por Gabriela Boechat

A louca, manipuladora e mentirosa contra o abusado, altruísta e inspirador. Essa foi a polarização que tomou conta da mídia desde 11 de abril, quando teve início o julgamento dos atores Johnny Depp e Amber Heard,  no estado norte-americano da Virgínia.  

Em 2016, o casal se divorciou após pouco mais de um ano de casamento e foi concedido a Heard uma medida protetiva de afastamento contra o ex-marido por violência doméstica. Dois anos depois, a atriz publicou um texto no jornal The Washington postque abordava a violência sofrida e se colocava como figura representante das sobreviventes de abuso doméstico. O artigo não citava o nome de Depp. Ainda assim, com a alegação de que foi altamente prejudicado pela publicação, o ator processou a ex-mulher por difamação e pediu uma indenização de 50 milhões dólares.

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Mulheres no jornalismo 

Ataques a jornalistas demonstram clara tentativa de silenciamento dessas mulheres 

Por Gabriela Boechat  

Ontem, 7 de abril, foi comemorado o Dia do Jornalista. Criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a data escolhida homenageia Giovanni Libero Badaró, importante jornalista que lutou pelo fim da monarquia portuguesa e pela independência do Brasil.  Assim como Badaró, desde os primórdios da atividade jornalística no Brasil, profissionais lutam pelo direito à liberdade de imprensa. O inciso V do artigo 2º do Código de Ética do Jornalista, por exemplo, prevê que “a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade”. 

Infelizmente essa luta ainda é constante e necessária. O Brasil, de acordo com o ranking mundial da liberdade de imprensa de 2021, caiu quatro posições e agora se encontra na zona vermelha. A partir de uma rápida análise de dados, compreende-se que desde 2019, quando Jair Bolsonaro (PL) assumiu a Presidência, o ambiente de trabalho para jornalistas se tornou mais perigoso, e a liberdade de imprensa está cada vez mais ameaçada. “Insultos, estigmatização e orquestração de humilhações públicas de jornalistas se tornaram a marca registrada do presidente, sua família e sua entourage”, afirma o texto de apresentação do ranking. 

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Gaslighting na mídia

De atritos no Big Brother Brasil a personagens da ficção, o termo gaslighting voltou a ocupar a mídia e abriu espaço para debates sobre esse tipo de violência

Texto por Fernanda Fonseca

O que o participante do BBB22 Arthur Aguiar e Christian, personagem da novela Um Lugar ao Sol, têm em comum? Ambos foram acusados, nas últimas semanas, de praticar gaslighting contra mulheres. 

Arthur, que integra o elenco da vigésima segunda edição do reality Big Brother Brasil, foi apontado por internautas, na noite de segunda-feira (21/03), como autor desse tipo de violência e de estar praticando-a contra outra integrante do reality, a médica Laís Caldas. A acusação veio após um jogo da discórdia, no qual Laís externou, durante a edição ao vivo, seu incômodo com algumas falas do colega de elenco, afirmando que ele sempre a menospreza e invalida seus posicionamentos dentro da casa: “Você (Arthur) vira e fala ‘você fica criando coisas que não existem’. (…) Você diz que não sei o que estou falando, que dou show, que sou rasa e me diminui”. 

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Os limites da representatividade

“Turning Red”, novo filme da Pixar, traz temas importantes sobre amadurecimento, mas estreia em meio a polêmicas sobre representatividade em filmes de animação

Texto por Débora e Fernanda

Desde a estreia de Divertidamente, em 2015, o estúdio de animação Pixar vem mostrando uma nova orientação para seus filmes: ainda mantendo o tom fantasioso, eles parecem agora mais focados em trazer ao público uma maior identificação com as narrativas, invocando dramas comuns a diferentes faixas etárias. É nesse cenário que se dá, em março de 2022, a estreia de Turning Red (“Red: Crescer é uma fera”), primeiro longa do estúdio dirigido por uma mulher e com uma equipe de produção inteiramente feminina.

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