Na reserva indígena mais populosa do País, a pandemia não tem rosto, apenas números

Enquanto a comunidade indígena de Dourados luta para combater o avanço do vírus, a imprensa local, mesmo que inconscientemente, não contribui para o combate ao preconceito

Por Bianca Cegati Ozuna*

A casa de “seu” Tanazinho, frequentemente é ponto de referência para quem explica algum endereço na aldeia Jaguapiru. Homem de fácil comunicação, respeitado, mas também muito brincalhão, o que o tornou um exemplo para os mais jovens da região. Pai de 12 filhos e avô de 46 netos, foi capitão da aldeia em outras épocas e depois se tornou pastor de uma igreja evangélica, da qual era presidente. Ainda assim, e, mesmo aposentado, encontrava tempo para trabalhar com o conserto de carros. Com orgulho, era mecânico. 

A breve biografia, que pouco – ou quase nada – foi contada pela imprensa local, é de Atanazio Cabreira, de 67 anos, morador da aldeia Jaguapiru, na Reserva Indígena Federal de Dourados, estado de Mato Grosso do Sul. Nas matérias sobre sua morte, “seu” Tanazinho, como era conhecido, foi retratado apenas pelo anônimo conjunto gênero-idade-numeral ordinal: homem, 67 anos, segunda vítima da covid-19 na Reserva. Foi necessário buscar em quatro sites locais de notícias para encontrar seu nome e qualquer outra informação não emitida em nota.

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Oração do repórter

Por Luiz Martins da Silva


Pai Nosso, que estais no Céu,

Credenciado seja o Vosso Nome.

Venha a nós a Vossa força,

Para cumprirmos a pauta

Com acerto e dignidade,

Pois nossa missão é a prece

De transmitir a verdade.

Perdoai os nossos erros,

Quando apontamos os dos outros.

Compreendei a nossa pressa,

a alma de nossa carreira.

Protegei essa maneira

De entregar Vossa mensagem.

Amém.

Transporte no DF: é preciso falar e agir

Por Melissa Duarte

Terça-feira, 7h40 da manhã. Chego à parada cinco minutos antes do horário previsto para o ônibus com destino à rodoviária de Brasília. Amigos no terminal, porém, informam que ele não havia saído da garagem. O próximo ônibus, às 8h15 no terminal, me faria chegar muito atrasada. Então, pego dois ônibus e um metrô. Saio de casa 2h20 antes da primeira aula e, ainda assim, me atraso cerca de 20 minutos. Continuar lendo

Nota ao SOS Imprensa da comissão eleitoral.

Nota ao SOS Imprensa

No último dia 31 de agosto, o SOS Imprensa, respeitado projeto de extensão da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), publicou, em seu blog, editorial em que aponta supostas brechas no Regimento Eleitoral que permitiriam fraudes no processo eleitoral para escolha da Diretoria do DCE Honestino Guimarães e para as vagas de representantes discentes nos Conselhos Superiores da Universidade.

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A fábula social daquela ovelha desgarrada

Por Daniel Marques Vieira

Você deve se lembrar de ver no jornal há algumas semanas um pobre carneiro perdido que, fruto de anos sem cuidados, gerou dezenas de quilos de lã. O pobrezinho não podia nem caminhar direito. Era tanta pelugem que sequer suas necessidades mais básicas eram possíveis de serem satisfeitas. Um caso no mínimo curioso que despertou a reflexão de vários, como o colunista do Estado de São Paulo, Fernando Reinach, no texto “nós somos aquela ovelha (link)”. Ele escreveu:

“A cada geração selecionamos animais que produzem mais lã. A cada geração usamos somente esses animais como reprodutores. Esse processo, repetido por centenas de gerações, produziu esse animal aberrante, incapaz de trocar o próprio pelo ao longo das estações do ano. O resultado é uma ovelha que, se não for tosada regularmente, fica imunda, cega, incapaz de viver livre na natureza. Mas um animal ótimo para nós: um grande produtor de lã. […]

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EDITORIAL: Brecha no Regimento Eleitoral pode alterar resultado de eleição do DCE – UnB

Na última quinta-feira, 27, a Aliança Pela Liberdade entregou suas funções de grupo gestor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Honestino Guimarães, na Universidade de Brasília. Encerrado o mandato da chapa, uma Comissão Eleitoral (CE) que foi eleita e empossada no mesmo dia, assumiu as funções do DCE e ficou responsável pela elaboração e realização das eleições.

A Comissão Eleitoral é eleita por meio de um Conselho de Entidades de Base (CEB), em que estudantes se candidatam ao cargo e os representantes dos Centros Acadêmicos votam para elegê-los. Conforme o Art.33 do Regimento Eleitoral, os mesários que irão trabalhar nas eleições são nomeados pela CE.

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Nem freira, nem puta

Por Danielle Assis

“Tem cabelo curto, deve ser lésbica”. “Quem não tem religião não tem moral”. “Depila e usa maquiagem, essa não é feminista”. “É goiano? Adora um sertanejo”. “Não confio em tatuado”. “Aposto que aquele pretinho não tem nem onde cair morto”. “Maconheiro é vagabundo e não tem futuro”. E por aí vai.

Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que nada do que está acima é errado. O estereótipo não é uma coisa falsa, seu maior problema é ser incompleto – e isso tem consequências que vão muito além do preconceito.

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