Lula indica deputado ex-bolsonarista para Ministério das Comunicações

A barganha partidária da realidade política quebra qualquer expectativa de realizar finalmente um projeto democrático e popular no setor de comunicações. Lula convocou para a direção do MiniCom um deputado com histórico reacionário que havia conhecido minutos antes. Ativistas dos direitos à comunicação rechaçam o ministro Juscelino Filho com um manifesto e abaixo-assinado.

Por Júlio de Abreu

O terceiro mandato do presidente Lula escalou o deputado federal Juscelino Filho (União Brasil – MA) para dirigir o Ministério das Comunicações. A notícia repercutiu de forma extremamente negativa entre ativistas do setor de comunicação e apoiadores do governo que consideram a pasta como um setor estratégico para a gestão social. O rechaço à indicação do nome para a chefia do MiniCom se justifica pelo histórico reacionário do deputado, que curiosamente se descobriu pardo em 2022 para entrar no sistema de cotas raciais. No dia 30 de janeiro, uma reportagem do jornal Estadão revelou que, enquanto exercia o mandato de deputado, Juscelino direcionou R$5 milhões do orçamento secreto para a pavimentação de uma estrada de 19km que liga a própria fazenda a um heliporto particular no município de Vitorino Freire (MA).

A barganha partidária da realidade política quebra qualquer expectativa de realizar finalmente um projeto democrático e popular no setor de comunicações. Lula convocou para a direção do MiniCom um deputado com histórico reacionário que havia conhecido minutos antes. Ativistas dos direitos à comunicação rechaçam o ministro Juscelino Filho com um manifesto e abaixo-assinado.

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Valorização de ídolos nacionais

Como a mídia repercutiu os velórios de Pelé e Roberto Dinamite

Por Pedro Sales

Entre o fim de 2022 e início de 2023, o Brasil perdeu o maior jogador de todos os tempos e o maior jogador da história do clube Vasco da Gama, Pelé e Roberto Dinamite, respectivamente. Os falecimentos, além de uma série de homenagens, suscitaram debates acerca da valorização dos ídolos nacionais, sobretudo quando ex-atletas anteriormente questionaram a falta de apreço por parte do povo brasileiro. 

A discussão antecede as perdas de Pelé e Dinamite. Ainda na Copa do Mundo FIFA de 2022, o ex-meio campista Kaká – eleito melhor do mundo em 2007 e com passagens por São Paulo, Milan e Real Madrid – disse ao canal inglês BeIN Sports, no dia 7 de dezembro, que, entre brasileiros, “muitas pessoas não torcem pelo Brasil, muitas pessoas estão falando sobre o Neymar, mas de uma maneira negativa”. 

Esse não foi, entretanto, o ponto mais polêmico de sua entrevista. Para ilustrar a forma como os brasileiros não “respeitam seus ídolos”, ele usou como exemplo o também campeão do Penta de 2002, Ronaldo Fenômeno. “Se vocês virem o Ronaldo Fenômeno andando por aqui (no Catar), cara, ele é algo diferente. Quando vai para o Brasil, ele é só mais um cara gordo andando por aí”, disse Kaká. “É diferente. A forma como ele é respeitado dentro e fora do Brasil”. 

Obviamente, a repercussão da entrevista foi imediata. Nas redes sociais, internautas questionaram que o atacante brasileiro seria reconhecido em qualquer lugar do país, com uma legião de fãs pedindo fotos e autógrafos. Dias depois da declaração de Kaká, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) realizou, no Catar, uma homenagem à trajetória de Pelé, que, à época, já estava internado. Foram convidados para o evento Cafu, Kaká, Rivaldo e Ronaldo, contudo nenhum deles compareceu. 

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O QUE É TERRORISMO?

Por que a mídia escolheu o termo para se referir aos vândalos pró-golpe

Por Luiza Brandão

Como dizia o cantor e compositor Tom Jobim, “o Brasil não é para principiantes”. No domingo, dia 8 de janeiro, o país assistiu — mais uma vez — à depredação de bens públicos que começou como simples e inofensivas manifestações. Bolsonaristas radicais invadiram as sedes dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) em Brasília e instauraram o caos, destruindo desde os espaços ocupados pelas autoridades e seus bens materiais (como as togas dos ministros do Supremo Tribunal Federal) até as obras de arte e símbolos nacionais.

Mas por que desta vez, diferente de todas as outras, a mídia escolheu chamar esses vândalos de terroristas?

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Invasões criminosas em Brasília: destruição do patrimônio público e dos princípios democráticos

Praça dos Três Poderes, símbolo da democracia do Brasil, foi alvo de invasões e ataques de bolsonaristas radicais

Por Beatriz Magalhães Reis

Destruição, desrespeito e caos. Esses três fatores, quando combinados, retratam exatamente o que aconteceu na capital do país neste último domingo, 8 de janeiro. Brasília virou cenário de guerra. O símbolo da bandeira verde e amarela ficou ainda mais manchado após mais uma série de ataques contra a democracia e o patrimônio público. 

Bolsonaristas radicais invadiram o Congresso Nacional, deixando um rastro de destruição e violência por onde passaram. O Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) foram depredados. E o motivo para esses ataques criminosos? O desrespeito com a vontade da maioria e o descaso com o processo democrático brasileiro. Mais de mil apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saíram de suas casas a fim de mostrar seu descontentamento com a vitória do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio da perturbação da ordem pública. 

Bolsonaristas invadindo o Palácio do Planalto [Imagem: Reprodução/Folha PE]

              

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Falem bem ou falem mal, mas falem da Balenciaga

As mais recentes campanhas da grife espanhola, Balenciaga, despertam a necessidade de questionar e compreender as estratégias da marca, conhecida pelas polêmicas acerca das peças excêntricas lançadas sob a direção criativa do estilista Demna.

Por Láisa Leite

Comentários críticos na internet acusam a marca espanhola de endossar a pornografia infantil na campanha “Balenciaga Gift Shop”, que pretendia divulgar a nova coleção de presentes de fim de ano. A marca investiu em uma divulgação inusitada e colocou crianças entre itens luxuosos, como bolsas e jóias, e abraçadas a ursinhos de pelúcia ornados com peças de couro sadomasoquistas.

Inspirada no trabalho do fotógrafo Gabriele Galimberti — responsável pelo ensaio da campanha — intitulado Toy Stories, a campanha foi divulgada no Instagram da marca no dia 16 de novembro. Tão cedo, uma enxurrada de comentários repudiando a sexualização das crianças nas imagens tomaram conta das redes sociais.

Para completar a polêmica, circularam na internet imagens e recortes da campanha “Verão 2023”, lançada ao mesmo tempo que a Gift Shop. Nelas, internautas identificaram, entre a bolsa Hourglass — em parceria com a Adidas — e outros papéis, documentos de um processo no qual a Suprema Corte dos Estados Unidos mantém a lei federal contra pornografia infantil. A partir disso, surgiram teorias de que a marca estaria apoiando a sexualização infantil e usando isso para se promover.

A autoria de uma das campanhas citadas, a de Primavera 2023, porém, não é de autoria apenas de Demna, o diretor de criação da grife, e da Kering – grupo do qual a grife faz parte. A produtora North Six, Inc. foi responsável por desenvolver e produzir a campanha. No fim de novembro, a grife espanhola, que já enfrenta um processo pela campanha da Gift Shop, decidiu processar a North Six e pedir, no mínimo, US $25 milhões por danos causados à imagem da marca.

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FAST FASHION  E AS MÍDIAS SOCIAIS 

O sucesso do fast fashion veiculado pelas redes sociais: o que isso implica? 

Por Júlia Cerejo

Com a ascensão das redes sociais, o compartilhamento de rotinas, tarefas, do melhor ângulo do prato ou da paisagem bonita, por exemplo, tornou-se algo comum. Com a internet ao alcance de grande parte da população, a criação de conteúdos para as plataformas pode ser feita por qualquer pessoa e em qualquer lugar. Surgem, assim, os influencers e as bolhas: o usuário cria e consome o que quiser. Essa criação de espaços personalizados no qual é construída a interação entre a rede social e o usuário, pode ser explicado pelo termo “filtro bolha”, que aponta como a personalização dos motores de busca ajudam a criar um ambiente de acordo com os gostos do internauta. Dentro desses círculos, com muita frequência, aparecem as trends. A partir delas, os  internautas inventam e compartilham material com base no que está em alta nas redes sociais. Um dos segmentos de trends que surgem com frequência no Instagram, Youtube e Twitter é a respeito de compras feitas em aplicativos de fast fashion.   

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Protestos na Copa do Catar

Como jogadores e seleções lutam dentro e fora das quatro linhas pela defesa dos direitos humanos 

Por Pedro Sales

Futebol e política não são imiscíveis, diferentemente do que pode parecer à primeira vista. Este senso comum é reforçado pelo estereótipo do jogador de futebol como alguém alheio aos assuntos político-sociais do país. A escolha do Catar — um país cercado por polêmicas em razão das violações dos direitos humanos — como sede da Copa do Mundo de Futebol FIFA de 2022, trouxe essa discussão de volta. 

Embora a mídia tradicional tenha sido o principal meio utilizado no combate e denúncia às situações no país árabe, seleções e atletas se uniram ao coro para protestar. Ao manifestarem suas queixas contra o Catar, jogadores e equipes provam que podem fazer a diferença dentro e fora dos gramados e que a Copa não é apenas futebol. 

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Dois Brasis: uma realidade que se tornou evidente no ano de 2022

Como as eleições presidenciais dividiram o país nos últimos meses e o resultado disso na sociedade brasileira

Por Beatriz Magalhães Reis

A eleição presidencial de 2022 foi, sem dúvida alguma, a mais polarizada que a população brasileira já testemunhou, desde a redemocratização, com o fim do regime militar em 1985. O Brasil se dividiu, ambos os lados alegando buscar um país melhor, mais justo e com mais amor. No entanto, a violência foi uma constante ao longo do período eleitoral. Discussões, brigas e, em casos mais extremos, mortes foram fortemente registradas. A principal razão para essa barbárie em pleno século XXI? A divergência política. 

Nos últimos meses se tornou evidente a existência de ‘’dois Brasis’’. Enquanto uma metade da população se comoveu para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltasse ao poder, a outra lutou com unhas e dentes para que o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, não passasse a faixa. Comícios foram realizados por todo país. Famosos se uniram em suas redes sociais pedindo votos por seus candidatos. Promessas, muitas vezes impossíveis de serem cumpridas, foram feitas pelos presidenciáveis em meio ao desespero da possibilidade de perder. 

 Após essa divisão, ficou claro que a intolerância ainda reina forte na sociedade brasileira. Os conflitos não se limitaram às manifestações públicas nas ruas das cidades, uma vez que foram trazidos para dentro das casas dos eleitores. O número de relações familiares e conjugais que foram prejudicadas por conta de divergências políticas foi absurdo. Uma reação um tanto irônica e até hipócrita por parte desse tipo de eleitorado, tendo em vista que ambas as campanhas pregavam pelos ideais de amor e família.

                         Charge do Cazo [Imagem: Reprodução/Arquivo Google]

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FAKE NEWS DEPOIS DAS ELEIÇÕES

O fim do pleito não foi suficiente para interromper a enxurrada de informações falsas nas redes sociais

Por Pedro Sales

30 de outubro, fim das eleições. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é eleito, pela terceira vez, presidente do Brasil. Em um mundo ideal, o término do pleito já seria determinante para pôr fim de vez à massiva onda de desinformação. Entretanto, a adesão ao golpismo por parte da ala radical perdedora foi alimentada – e enganada – por diversas fake news, das mais elaboradas às mais absurdas.

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O sucesso do podcast Mano a Mano

Apresentado por Mano Brown, o programa é reconhecido pelas entrevistas com convidados de diferentes áreas e alcançou o segundo lugar entre os mais ouvidos no Spotify em 2021 

Por Sthefany Rocha

Produzido pelo streaming de áudio Spotify e apresentado pelo rapper Mano Brown, integrante de um dos grupos de rap mais importante do Brasil, o Racionais MC’s, a primeira temporada do podcast Mano a Mano estreou em agosto de 2021. Já no ano de lançamento, conquistou o segundo lugar no ranking de podcasts mais escutados no Spotify e o episódio mais ouvido dentro da mesma plataforma.

O sucesso do Mano a Mano não é à toa, além de disponibilizar um conteúdo didático e acessível para o público, o podcast de entrevistas é reconhecido por trazer convidados relevantes e controversos das mais diversas áreas de atuação no Brasil, como política, arte, saúde e filosofia. Mano Brown deixa claro na vinheta de apresentação que a intenção do programa é ampliar o debate e trazer diversidade de pensamentos. 

“A ideia do podcast Mano a Mano é trazer a diversidade de ideias e pensamentos sem repressão. Com um convidado diferente, controverso, amado ou odiado, vocês decidem”, diz Mano Brown. 

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