RIHANNA, LOUIS VUITTON, SUCESSO E REPRESENTATIVIDADE

Seleto grupo da alta costuma parisiense tem pela primeira vez uma mulher negra comandando uma linha de roupas. O que isso significa?

Por Maíra Oliveira

Robyn Rihanna Fenty (31) iniciou sua carreira na música ainda nova, com apenas nove anos já cantava em sua escola. Em 2005, lançou o seu primeiro álbum de estúdio, que alcançou o top 10 da Billboard 200. A cantora, nascida em Barbados, o país mais oriental do Caribe, também atua em diversas áreas sociais e culturais, como moda, cinema e políticas contra desigualdade. Rihanna tem uma importância extrema no mercado de produção cultural, tanto por seu talento e trabalho significativo quanto por ser uma mulher negra que conquistou tudo isso. Com o passar dos anos a artista iniciou contato com grandes marcas, e a última e mais grandiosa parceria foi com a Louis Vuitton.  

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Divino Amor: o que um olhar futurista nos diz sobre o presente?

Brasil vive uma distopia, com um povo conservador que espera pelo seu Senhor enquanto experimenta o puro amor em festivais retrô e cultos no longa-metragem nordestino “Divino Amor”

Por Christine Santos e Lucas Guaraldo

O mais recente filme do diretor Gabriel Mascavo está vindo para as telas. Após o reconhecimento trazido por Boi Neon (2017), o pernambucano lança Divino Amor depois de tê-lo exibido no Festival de Sundance e no Festival Internacional de Cinema de Berlim.  A obra promete um cenário futurístico e distópico para o Brasil de 2027 dentro deste longa-metragem. O primeiro trailer saiu na segunda-feira (13) pela Vitrine Filmes junto a uma sinopse que faz questionar a realidade política e social na atualidade.

A direção de arte, com o uso de tons neon para compor o tema retrô futurista, aproxima esteticamente Divino Amor de Boi Neon, muito por causa da influência do mexicano Diego Garcia, que participou dos dois projetos de Mascavo como diretor de fotografia. A escolha estética combina com a opção do filme de imaginar o futuro com base no presente e não apenas em sonhos utópicos, como costumam fazer as ficções científicas.

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Brasil e EUA, juntos e shallow now

Entenda as críticas da versão brasileira de Shallow escrita por Paula Fernandes e autorizada por Lady Gaga

Por Marina Dalton

Na última sexta-feira (17), a cantora Paula Fernandes divulgou o refrão de “Juntos”, sua versão da música Shallow, tema do filme “Nasce uma Estrela” de 2018. A publicidade já estava preparando o terreno desde 6 de maio, quando a cantora publicou um vídeo no instagram com um pequeno trecho do instrumental da música que acompanhou os dizeres “vem aí o lançamento do ano”. O inesperado é que foi escolhido manter a palavra shallow ー raso ou superficial, em inglês ー no abrasileiramento da canção.

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O papa que desceu do trono e corre o risco de não voltar mais

O papa Francisco está sob julgamento após acusações de heresia e a pergunta que fica é: estaríamos voltando à Idade Média?

Por Millena Campello

Após tantas medidas que visam o acolhimento de pessoas, independente do estado civil ou escolha sexual, o papa Francisco começou a ser mal visto pelos conservadores da igreja Católica. Em fevereiro de 2017, os bairros próximos ao Vaticano amanheceram cheios de cartazes criticando o pontífice. Poucos dias depois, os cardeais receberam uma versão falsa do jornal L’Osservatore Romano, com oposição ao papa.

Nas redes sociais como o Twitter são comuns os comentários contra e a favor De Francisco. Na igreja, as opiniões também estão bastante divididas. Neste ano de 2019, em vez de ataques anônimos, o papa foi acusado de heresia por cardeais da igreja, que afirmam que o pontífice não tem dado devida relevância a temas muito sérios.

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FILANTROPIA ACADÊMICA

Por Luiz Martins da Silva

Um dos calafrios advindos das urnas de 2018 foi a admiração ardorosa do “nosso” principal eleito pelos Estados Unidos, leia-se Trump. Como seria bom se executivos brasileiros percebessem o quanto a sociedade norte-americana oferece paradigmas nos campos da cultura, da educação, e num particular neste momento em foco, a filantropia universitária. Esta faceta dos “americanos”, entretanto, é pouco lembrada.

Recobro, aqui, a declaração-epígrafe de um embaixador do Brasil em Washington, ao tempo do “nosso” presidente-marechal Castelo Branco. “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”: Juracy Magalhães. Na prática, entretanto, os políticos brasileiros entendem isto como: vamos propor e adotar o “alinhamento automático” com o xerife do mundo e pelo menos os últimos 50 anos demonstraram o quanto o procedimento “americano” foi desastroso e o quanto essa atitude dos governantes e diplomatas brasileiros foi simplesmente voluntariosa e ingênua.

Vamos separar, então, o que tem sido a política norte-americana do que tem caracterizado o espírito cívico e empreendedor do povo e de personalidades norte-americanas que passaram a incorporar na sua pretensa “ética protestante” não somente a riqueza honesta (e, portanto, abençoada), mas também a dádiva de uma parte dela.

A atuação internacional dos EUA é intervencionista e interesseira; golpista e estratégica. Nela, o planeta é um mapa-múndi sobre a mesa, tabuleiro de manipulações e movimento de peças na sempiterna busca pela hegemonia internacional e seus tentáculos, exuberantes e beligerantes o tempo todo: na política externa, no comércio, na militarização dos conflitos e no jogo sujo dos bastidores, a mitológica sigla, a CIA. Existe, no entanto, outros Estados Unidos, a despeito do conjunto da obra, que é um império.

Aqui, neste comentário, o recorte é o altruísmo com que personalidades norte-americanas dão suporte a causas, tanto sob a forma de capital simbólico (a força do prestígio) quanto sob a face de capital financeiro, sabendo que não se trata de “dinheiro perdido”, mas de investimento no futuro e na edificação de uma memória nela a se colocarem no panteão dos maiorais na prática da filantropia. Estou me referindo aos patronos que tendo alcançado em fortuna pessoal o que muitos países não têm em PIB, decidem ser restitutivos, ou seja, “doam” à sociedade uma parcela do que acumularam no talento para os negócios. É então quando se lembram da alma mater que lhes serviu de abrigo e ampliação de suas inteligências: a universidade.

Nos meus tempos de jornalista, integrei uma comitiva deles, a excursionar por organizações de imprensa e acadêmicas, no contexto de um curso sobre mídia nos Estados Unidos. Fiquei sabendo, então, que numerosos terrenos destinados a serem campi universitários tinham sido doados por fazendeiros. E que prédios monumentais subsequentes tinham sido edificados com dinheiro de magnatas. O próprio civic journalism, que teve origem nos EUA, foi originalmente patrocinado por um ricaço do petróleo: ele queria fortalecer financeiramente projetos relacionados com a democracia e com uma imprensa engajada no enfrentamento de problemas das comunidades, violência e drogas, entre eles. Paralelamente, campanhas em favor do voto consciente. Detalhe: exigiu anonimato.

É claro que alguém na leitura destas linhas fará a associação imperiosa do momento, o drama vivido pelas universidades públicas brasileiras, alvo de uma compreensão estranha, a serem punidas por suposta conivência com “balbúrdias”, visão corrigida e ampliada. Inicialmente, UnB e mais duas, como as ovelhas negras do pedaço e, por fim, o remendo desastroso: corte de vagas generalizado. A filantropia não diz respeito ao modelo brasileiro concebido originalmente, de ensino público gratuito e de qualidade ser tarefa constitucional do Estado. E filantropia será sempre algo suplementar. Entretanto, se olhamos tão atentamente para a maneira como os presidentes americanos fazem estilo (lembram-se de Kennedy?) e se consumimos tudo que está in no american way of life, por que não dar uma olhadinha no quanto os bill gates do Capitalismo fazem dos bolsos cornucópias de onde jorram fartos dólares para as universidades. Em outras palavras, quando o Estado é perverso e cruel, acariciar o ego das personalidades que vieram ao mundo milionárias sem precisar, necessariamente, ganhar na mega-sena acumulada pode ser uma jogada, e bem em sintonia com as mentalizações do best-seller O segredo.

Já pensaram no quanto os ex-alunos afortunados podem se voltar outra vez apaixonados pela sua universidade e serem imensamente gratos pelo quanto receberam em matéria de redimensionamento intelectual, espiritual e emocional? Quem saber venham aderir a campanha “UnB, sua linda!” Não seria lindo?

 

Homecoming: a exaltação da arte e cultura negra

Como a maior artista da atualidade vem usando esse patamar para elevar a negritude e a sua ancestralidade

Por Luiz Oliveira e Larissa Lins

Em 17 de abril desse ano, a Netflix compartilhou para todos os assinantes o seu mais novo documentário original, Homecoming, dirigido e produzido pela cantora norte-americana Beyoncé Knowles-Carter. A produção traz os bastidores do seu show no festival Coachella, mas, também, de uma parte da sua vida e diversas reflexões sobre cultura e ancestralidade.

O Festival Coachella aconteceu em abril do ano passado nos Estados Unidos, e teve pela primeira vez uma mulher negra como atração principal desde a sua primeira edição em 1999. Mas a apresentação de Beyoncé não foi histórica apenas por isso. Desde seu último álbum, Lemonade, lançado em 2016, a artista vem levantando de forma muito significativa a bandeira do movimento negro e não foi diferente em seu show.

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O limite do humor: na Ucrânia, a presidência

Como um comediante foi eleito o próximo presidente no país da Europa oriental em sua primeira tentativa

Por Luís Abrantes

Após ter seu desabafo sobre o sistema político viralizado, o professor de história Vasyl Holoborodko acabou se tornando presidente da Ucrânia da noite para o dia. Essa é a introdução da série Servants of the People, estrelado pelo humorista e ator Volodymyr Zelensky desde 2015, que conta com 51 episódios. Na série, o protagonista é, essencialmente, um outsider, ou seja, não pertence ao meio político, anti-establishment (contrário a elite política) e principalmente anti-corrupção.

A partir do sucesso da série, o astro resolveu lançar sua candidatura a presidente não mais no campo fictício. De início, a empreitada parecia ser uma grande ironia ou parte de um experimento social do artista. Entretanto, Zelensky garantiu a seriedade de sua candidatura e passou a atuar de forma firme com discursos contundentes e, muitas vezes, surpreendentes para um novato na política.

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