Cinquenta tons de amarelo: a representatividade asiática em produções audiovisuais

Por Bruna Yamaguti

“A minha vida inteira, tive uma relação complicada com a cor amarela. Desde ser chamado de formas depreciativas durante a escola, até assistir filmes onde uma pessoa chamava a outra, covardemente, de amarela” 

Jon M. Chu (tradução livre do inglês). 

Este, é um dos trechos de uma carta escrita pelo cineasta Jonathan Murray Chu, diretor do filme Crazy Rich Asians (2018), sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, mas pouco divulgado no Brasil. 

Disfarçado de elogios e piadas, o preconceito contra pessoas asiáticas ainda é tema pouco explorado, haja vista o caráter velado das atitudes e comentários pejorativos direcionados ao grupo. Os estereótipos, por exemplo, são uma das formas mais enraizadas de reforçar o racismo e, infelizmente, estão presentes nas mais diversas obras de entretenimento. Quantas vezes você já se deparou com o asiático sendo exposto como extremamente inteligente, que entende de tecnologia, sabe matemática, luta artes marciais ou fala errado?  

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JN, 50 ANOS

Por Luiz Martins

Num país com apenas 519 anos de história; dos quais somente 199 com independência e 130 como República, qualquer instituição ou organização que complete meio século é um prodígio. Mais ainda, se é um telejornal, de grande importância num contexto de uma tradição autoritária que remonta ao ano século XVI. Até a chegada de Dom João VI (1808), ter uma tipografia era crime no Brasil. E mesmo sendo Coimbra uma das mais antigas universidades do mundo, a colonização portuguesa foi sovina nesse ponto, enquanto a Espanha precocemente trouxe universidades para as colônias. Ou seja, imprensa e academia nunca foram o nosso forte enquanto fundamentos de uma nação livre e autorreflexiva.

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Quando a leitura passa pelos olhos daqueles que confiscam livros

A Bienal do Livro no Rio de Janeiro recebeu uma visita digna de ser contada por Ítalo Calvino: agentes de segurança do prefeito Crivella passaram para fiscalizar livros durante a feira

Por Amanda Cavalcante

Surgiram boatos de que na Panduria existiam livros que iam contra o governo e seriam impróprios para a população e, logo que se soube do boato, o governador ordenou que seu exército fosse conferir e confiscar aqueles livros que fossem contra os ideais da nação. Entraram, então, o general Fedina e sua tropa rumo às estantes da imensa biblioteca, com a única missão de proteger a sociedade das terríveis palavras que poderiam estar guardadas naquele prédio. Continuar lendo

Eu sou o Rio

O funk se popularizou desviando de um enfoque constante de criminalização, vetorizado pelos meios de comunicação 

Por Maria Carolina Brito

A reportagem de sete minutos que o Fantástico exibiu no dia 31 de março deste ano, sobre a condenação do DJ Rennan da Penha por associação ao tráfico, foi mais um episódio do enquadramento que a imprensa vem dando ao segundo estilo musical mais ouvido no Brasil, atrás apenas do sertanejo: o funk. A narrativa que historicamente foi construída em torno dessa produção cultural, que tem rosto e território bem definidos, resultou em vários processos, entre eles, a divisão espacial que definiu lugares que deveriam ser evitados, por motivos de segurança no Rio de Janeiro (RJ) e  em uma construção discursiva de desigualdade.

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A desumanização da mulher em um contexto marcado pelo feminicídio

Não há exagero na afirmação de que o machismo mata. Mulheres são vítimas de inúmeras violências todos os dias, resultantes de desigualdade que tem raízes históricas. 

Por Letícia Mouhamad 

“Alguém disse uma vez: os homens temem que as mulheres riam deles. As mulheres temem que os homens as matem.” Esta frase está presente na série americana The Handmaid’s Tale, baseada na obra homônima da canadense Margaret Atwood, que apresenta ao público a distopia de conviver em um regime totalitário e religioso que restringe todos os direitos das mulheres, de forma que estas são submetidas a uma série de violências, incluindo estupros ritualizados, torturas e assassinatos. Apesar da brutalidade das cenas da série, Atwood declarou que muitos desses eventos já ocorreram anteriormente na história do mundo, ou seja, há um passado repleto de violações aos direitos das mulheres que não estão tão distantes da ficção. 

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Deep Fake

O que uma ferramenta de edição de vídeos nos diz sobre a verdade?

Por Lucas Guaraldo 

No fim de 2017, um usuário do Reddit, com o nome deepfakes, publicou em um dos fóruns do site uma ferramenta de edição que prometia substituir o rosto de celebridades em qualquer vídeo. O conteúdo em si não era nada inovador, softwares semelhantes existem desde os primórdios da internet, mas a capacidade de automatizar completamente o processo, por meio de plataformas de aprendizado de máquinas, fez com que centenas de outros usuários se empenhassem em melhorar e disseminar a tecnologia. 

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O governador sniper que está dando o que falar

No sequestro na ponte Rio-Niterói, a atitude do governador, Wilson Witzel levanta discussão

No dia 20 de Agosto terça-feira, o Brasil assistiu a um episódio de sequestro m um ônibus na ponte Rio-Niterói. O assalto foi anunciado às 5h26 e durou 3h30, acabando de forma trágica, às 9h4, com o assassinato do sequestrador por um atirador de elite, em uma das vezes que ele desceu do ônibus. O governador Wilson Witzel comemorou este último acontecimento em dois momentos: pelo Twitter e ao descer de seu helicóptero na área do ocorrido.O sequestro teve cobertura completa de emissoras como, por exemplo, a Rede Globo, e também alguns de seus desdobramentos deram o que falar, entre eles, a postura de Witzel diante do acontecimento.

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