Strong black lead

Ao longo de 2019, a Netflix trouxe na programação uma presença maior de produções com temas relacionados a cultura negra, isso se deve a criação de equipe composta por produtores, diretores e atores negros

Por Maria Carolina Brito

Quando foi publicada em junho de 2018, a imagem A Great Day in Hollywood anunciava a criação da equipe de executivos negros Strong Black Lead. Um ano e meio depois, o serviço de streaming Netflix impulsionado pela iniciativa deu mais protagonismo para as produções negras em uma pluralidade maior de  possibilidades. 

A equipe reúne cerca de 47 de escritores, criadores, atores e produtores negros, como a roteirista Lena Waithe (Master of None), a atriz e produtora Laverne Cox (Sophia Burset em 0Orange Is the New Black), o diretor Justin Simien (Cara gente branca), a premiada Ava DuVernay (A 13ª Emenda , Olhos que condenam) e o vencedor do Oscar Spike Lee. 

Continuar lendo

Não deveríamos saber onde mora o porteiro de Bolsonaro

Ao expor uma das testemunhas mais importantes do caso Marielle, os veículos de comunicação podem ter dificultado ainda mais a investigação do assassinato vereadora

Por Lucas Guaraldo 

Na noite do dia 29 de outubro veio à público a denúncia, feita por um porteiro até então anônimo, de que o próprio Jair Bolsonaro teria liberado a entrada de um dos assassinos da vereadora Marielle Franco no condomínio Vivendas da Barra, no dia do crime. A acusação repentina, que relacionou pela primeira vez a família Bolsonaro ao caso, deu ainda mais notoriedade a um dos eventos mais importantes da política brasileira nos últimos anos.

Conforme os debates evoluíam na manhã seguinte ao vazamento, com o surgimento de novas gravações e mensagens, os apoiadores do presidente foram direcionando cada vez mais o debate para a figura do porteiro, que passou a ser acusado de trabalhar, a mando da oposição, para destruir a reputação de Jair Bolsonaro. Em uma ação claramente coordenada, as acusações feitas na internet foram seguidas pela abertura de investigações por parte de procuradores ligados ao presidente, que rapidamente o inocentaram.


Continuar lendo

Lollapa… para quem?

Festival Lollapalooza Brasil chega a sua nona edição em 2020 e preços dos ingressos assustam público-alvo

Por Christine Santos

O Lollapalooza é um festival que têm se destacado ao longo dos anos. O evento foi criado em 1991 pelo ex -Jane’s Addiction, músico e compositor Perry Farrell. Chegou ao Brasil em 2012 e reúne amantes de música de diversas partes do país e da América Latina, no Autódromo de Interlagos, sempre no primeiro semestre do ano, durante três dias. A próxima edição acontecerá em abril de 2020 e contará com line-up que mistura alguns veteranos e também artistas que nunca pisaram no Brasil. Os dias escolhidos foram 3, 4 e 5 de abril. Mais uma vez, os preços dos ingressos do festival acabaram pegando o público de surpresa. 

Continuar lendo

Pelo jornalismo que ainda não tivemos, temos pressa

A aspiração  de que a redação fosse tão divertida quanto foi para a protagonista Jenna Rink, do filme De Repente 30, se torna distante. A realidade mostra um mercado racialmente estruturado, fazendo com que esse espaço se torne um lugar de disputa, silenciamento e de solidão para os profissionais negros

Por Maria Carolina Brito

De autoria da jornalista Yasmin Santos, o texto “Letra Preta: os negros na imprensa brasileira”, publicado na edição de outubro de 2019 da revista Piauí, chegou até mim por meio da rede de comunicadoras e comunicadores negros que acompanho nas redes sociais. 

A proposta de renovação editorial da “revista para quem tem um parafuso a mais”, como anuncia o slogan do periódico, não é tão inovadora assim. Não há nada de novo em seguir com a tradição de um  jornalismo branco e masculino. “São treze anos de boas histórias sobre o Brasil contadas majoritariamente por pessoas brancas. E, atualmente, a edição da revista está concentrada nas mãos de homens brancos de meia-idade”, relata Yasmin. A articulação do racismo com o sexismo, como nos ensinou Lélia Gonzales, produz efeitos violentos sobre a mulher negra, em específico. 


Continuar lendo

Racismo sutil do coque às pontas dos pés

Pequenas barreiras que bailarinas negras ainda enfrentam começam a ser derrubadas

Por Isabela Oliveira

De Benfica, bairro pobre na zona norte do Rio de Janeiro, à renomada academia Dance Theatre of Harlem (DTH), em Nova York. Essa foi a trajetória da primeira-bailarina negra da DTH. Ingrid Silva, hoje com 30 anos, começou a dançar balé aos oito anos de idade, em um projeto social chamado “Dançando para Não Dançar”. A bailarina teve que, por mais de uma década, pintar todas as sapatilhas de ponta com a cor da sua pele. Recentemente, essa barreira começou a ser derrubada. Ingrid e tantos outras bailarinas negras não precisam mais gastar dinheiro com tintas, pois empresas começaram a produzir sapatilhas com outros tons de pele além do cor-de-rosa. A mídia nesse sentido tem mostrado que o racismo sutil existe, é ignorado, mas aos poucos vai diminuindo.

Continuar lendo

Quando o riso de um leva ao choro do outro

Vídeo polêmico publicado por MC Gui e a banalização do sofrimento alheio através de memes pejorativos

Por Lara Perpétuo

Há uma semana, uma criança se sentia triste na Disney, lugar criado justamente com o propósito de todos se sentirem felizes. Feliz estava, naquele momento, o cantor brasileiro Guilherme Kaue Castanheira Alves, mais conhecido como MC Gui. O artista postou em seus stories do Instagram no dia 21 de outubro, um vídeo em que parecia muito alegre com seus amigos, rindo, no parque de Orlando, na Flórida. O motivo do riso, porém, era uma criança. Uma criança claramente desconfortável e constrangida que sentia olhares e a câmera de um celular sobre si.

Continuar lendo

O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO?

A política de segurança pública do Rio de Janeiro e casos como o da menina Ágatha Félix

Por Jonatas Martins e Ruan Roberto 

“O nome de Ágatha tem que reverberar pelo mundo: uma linda menina negra tem que dar sua vida porque a polícia brasileira atira antes de perguntar ” Angela Davis

Ágatha Vitória Soares Félix, de 8 anos, foi baleada quando voltava para a casa com a mãe, no dia 20 de setembro por volta das 21h30, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. A garota foi transferida para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu. Neste ano, Ágatha foi a quinta criança morta pela violência no estado.

A menina estava dentro de uma Kombi, que segundo informações das testemunhas foi atingida por disparos de policiais militares que desconfiaram de uma moto passando pelo local. O motorista da Kombi disse que não houve tiroteio, “foi só um único tiro”. A versão da Polícia Militar é diferente, sustentando um possível confronto com marginais na localidade. “Não há nenhum indicativo nesse momento de uma participação efetiva do policial militar no triste episódio que vitimou a pequena Ágatha”, afirmou o porta-voz da Polícia Militar Mauro Fliess. 

Continuar lendo