O Brasil tem fome

Em meio à pandemia do coronavírus, os preços dos alimentos vêm subindo rapidamente. Nesse momento de crise, parte da imprensa tem evitado tratar da grave crise humanitária afetando a maioria da população, optando por desculpas e eufemismos

Por Lucas Guaraldo

    O Brasil passa por um dos seus piores momentos na história. Além dos quase 400 mil mortos pela covid-19, o preço dos alimentos tem subido vertiginosamente. Em 2020, trabalhadores que recebiam até um salário mínimo gastavam mais da metade de seu dinheiro apenas para conseguir se alimentar. Somado à alta do custo de alimentação, o desemprego no primeiro trimestre de 2021 chegou à marca recorde de 14,3%, fazendo com que mais 116 milhões de brasileiros não tenham comida suficiente ou passem fome. 

Apesar do número de brasileiros famintos ter quase dobrado desde 2018, quando IBGE registrou 10 milhões de pessoas nessa condição, a cobertura midiática da crise tem sido tímida, ou até mesmo omissa, em muitos casos. Conforme os valores subiam, cresciam também os números de matérias recomendando a substituição de alimentos e dicas de cortes de gastos. No fim de setembro, a Folha de S. Paulo e o G1 repercutiram uma matéria da BBC News que ensinava a população a comer alimentos mofados com segurança.

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Guerra no Cáucaso

Armênia x Azerbaijão, um conflito geopolítico que envolve questões étnico-religiosas, disputa por territórios e um movimento separatista

Por Renan Lisboa

Em setembro de 2020, teve início o conflito fronteiriço entre Armênia e Azerbaijão que começou com acusações de violação do cessar-fogo por ambos os lados e escalou para um confronto de grandes proporções. Vários veículos da mídia nacional e internacional deram visibilidade para o acontecimento, apesar das críticas feitas por armênios e azeris em relação à cobertura “imprecisa” dos conflitos. Separatistas armênios lutam contra o exército do Azerbaijão, que tentava controlar a região, resultando na pior série de confrontos desde a guerra travada entre 1988 e 1994, que deixou cerca de 30 mil mortos. 

A disputa militar envolve a posse do enclave de Nagorno-Karabakh, região internacionalmente reconhecida como parte do Azerbaijão (país de maioria muçulmana), mas habitada majoritariamente por armênios (de maioria cristã). De acordo com a CNN Brasil, o território depende quase que totalmente dos recursos enviados pela Armênia e de doações de armênios em todo o mundo.

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Afinal, no Brasil, a leitura e o jornalismo são para quem e para quê?

É papel do jornalismo desmentir estatísticas falsas, desmistificar falácias oficiais e amplificar a verdade: não só os ricos leem no país

Por Lara Perpétuo 

No último dia 5 de abril, um novo documento contendo perguntas e respostas a respeito da Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS), parte da proposta de reforma tributária (PL 3887/2020), foi subido ao site do Ministério da Economia. No documento, uma afirmação falsa e descontextualizada relacionando o hábito de leitura com classes sociais mais altas foi manchete dos principais jornais e causou indignação nas redes sociais.

Em termos simples, a CBS seria a unificação de tributos como a Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em uma alíquota uniforme de 12% sobre o valor de bens, serviços e ativos intangíveis. 

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Em momento crítico da pandemia, GDF manda derrubar barracos e uma escola carente em seu quintal

Operação do governo para despejar ocupações irregulares na capital federal durante a crise sanitária nos mostra a forma em que a classe mais vulnerável é vista pelos órgãos governamentais da capital

Por Gabriel Bezerra

No dia 22 de março, o Distrito Federal estava em um lockdown que se estendia desde o início daquele mês, devido ao crescente número de contaminações pela Covid-19 entre a população e as altas taxas de lotação dos leitos de UTI no sistema de saúde. Neste cenário, foi aprovado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma operação de despejo para expulsar e derrubar construções dos moradores da Ocupação do CCBB, uma comunidade composta por 90 pessoas, que residiam às margens da Estrada Parque das Nações (L4), próximo ao Centro Cultural Banco do Brasil.

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Gucci Virtual 25, o tênis “acessível” da Casa Gucci

Com a expansão das aplicações da realidade aumentada, marcas desenvolvem novas possibilidades para a tecnologia. A mais nova veio na forma de produto, o tênis virtual

Por Layla Abdon

A Casa Gucci vende pares de tênis na faixa de 580 a 1250 dólares (3 a 7 mil reais, aproximadamente) em seu site. No mês de março, ela lançou um novo modelo “acessível” pelo preço de apenas 9 dólares, equivalente a cerca de 50 reais. A diferença é que o acesso ao produto é apenas digital, já que o lançamento corresponde a um calçado virtual. O Gucci Virtual 25 segue a tendência do mercado de aplicar a realidade virtual e aumentada não apenas como ferramenta, mas também na forma de produtos comercializáveis.

O produto foi desenvolvido em parceria com a Wanna, empresa de tecnologia do Leste Europeu especializada em moda. Estamos vivenciando um momento de ascensão das roupas virtuais. Entre produtos de moda para serem utilizados em videogames a acessórios virtuais que combinam com os feeds das redes sociais, a linha que divide o real e o digital torna-se cada vez mais tênue.

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Do desmonte à desestatização

Aparelhada, censurada e agora incluída no Plano Nacional de Desestatização, a Empresa Brasil de Comunicação luta pela sobrevivência

Por Malu Sousa

Confirmada em 16 de março, a tão ameaçada inclusão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no Plano Nacional de Desestatização (PND) se concretizou. Está a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a realização dos estudos técnicos para definir o melhor modelo de desestatização da empresa. Sem cronograma definido, o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) e o Ministério das Comunicações apenas informaram que a decisão geraria economia de R$400 milhões por ano, conforme veiculado pela Agência Brasil.

Quando ainda era candidato, o presidente Jair Bolsonaro disse que queria privatizar a EBC. Depois de eleito, voltou a afirmar em entrevista ao programa The Noite, com Danilo Gentili, que pretendia levar o plano adiante. Confrontado, em um debate de pouco rigor técnico, pelo apresentador, tomou ciência de que a privatização de uma empresa pública é impossível, e que, em vez disso, ocorre a extinção. Sem pestanejar, Bolsonaro disse, então, que a extinguiria.

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Príncipe Philip, a realeza e o valor-notícia

Família real britânica é tema do seriado The Crown e, na sexta-feira (9/4), a morte do marido da rainha Elizabeth foi notícia em todo o mundo

Por Marina Dalton

Ontem, os portões do Palácio de Buckingham estiveram repletos de flores. Aos pés das grades pretas e douradas que cercam a moradia oficial da realeza britânica, súditos deixaram suas homenagens. A bandeira do Reino Unido estava hasteada a meio mastro: morreu um membro da família real.

“É com profunda tristeza que Sua Majestade a Rainha anunciou a morte de seu amado marido, Sua Alteza Real o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo”, dizia o comunicado oficial. A notícia foi dada pouco depois de meio-dia na Inglaterra — próximo às 8h da manhã no Brasil. “Sua Alteza Real faleceu pacificamente esta manhã no Castelo de Windsor.”

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Preto não pode ser sinônimo de morte, seja na dramaturgia ou na vida real

Como a novela Amor de Mãe tratou os seus personagens negros ao longos dos capítulos

Por Luiz Oliveira

Nesta sexta-feira (9), a novela Amor de Mãe, exibida pela Rede Globo, chega ao fim após quase um ano de sua paralisação devido a pandemia de coronavírus. O enredo, escrito pela autora Manuela Dias, acompanha a trajetória de três mães que, em algum momento da trama, terão as suas vidas conectadas. A história de Lurdes (Regina Casé), Vitória (Taís Araújo) e Thelma (Adriana Esteves) teve enorme repercussão nas redes sociais, principalmente nessa segunda e final parte da trama. 

Contudo, o objetivo desse texto não é falar sobre a qualidade e os caminhos para lá de questionáveis que a novela teve nessa volta, mas sim analisar a maneira como os personagens pretos tiveram o seu desenvolvimento no folhetim. Tendo em vista que a emissora tem uma concessão pública, logo o debate sobre a maneira como utiliza esse espaço é aceitável, ainda mais quando se trata da representação de metade da população brasileira. 

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Resiliência, uma nova palavra para o discurso meritocrático

Sequência jornalística de matérias que contam histórias de superação vai na contramão de um país onde a fome e desemprego crescem diariamente

Por Camilla Fernandes

A palavra resiliência está associada à capacidade do indivíduo de lidar com os próprios problemas, de sobrevivência e superação de obstáculos difíceis. Apareceu como tema do programa Globo Repórter exibido na última sexta-feira (26 de março). No momento em que o país coleciona desempregados e aumenta o índice de fome, o único jeito de aplicar resiliência seria com o sentido original da palavra que vem do latim, Resilire: “voltar atrás” e eleger um governo que governe na direção oposta do descaso com a população que temos presenciado.  No entanto, além de lidar com a falta de recursos fornecidos pelo estado, estamos também assistindo a colocação da meritocracia como discurso de esperança na grande mídia.  

Em 2021, o número de desempregados  no Brasil ultrapassou o número de moradores de São Paulo, a mais populosa cidade da América do Sul e com a quarta maior população do mundo. Segundo Sirlânia Schappo, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no artigo “Fome e insegurança alimentar em tempos de pandemia da covid-19”, a pandemia pode influenciar em até 56% no aumento da pobreza em países como o Brasil, baseado em previsões da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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Está faltando fair-play no meio futebolístico

No período mais crítico da pandemia no país, clubes e editorias de esportes dão show de indiferença

Por Malu Sousa

Entre as temporadas de futebol de 2020 e 2021 o intervalo foi de apenas três dias. As partidas que encerraram o Campeonato Brasileiro e deram início aos estaduais ocorreram em fevereiro, em meio ao ponto mais crítico da pandemia no Brasil. Mas, a contragosto de dirigentes dos clubes, os campeonatos estaduais vêm sendo suspensos em diversos estados pelo país nas últimas semanas. A imprensa esportiva também não parece estar muito satisfeita e mostra isso pelo teor das manchetes recentes.

“Brasileirão: R$27 milhões de prejuízo com portões fechados; veja a renda líquida negativa de cada clube” é o título de um levantamento publicado pelo Lance! em 24 de fevereiro, dia em que o Brasil registrou 1.433 mortes pelo coronavírus. Nessa mesma data, chegamos à trágica marca de 250 mil vidas perdidas, vítimas da covid-19. Não sendo suficiente, o perfil do portal no Twitter replicou a matéria nos dias 7, 10, 14, 15 e 16 de março. No dia da última postagem batemos mais um triste recorde: 2.841 mortes em 24 horas, alcançando 282.400 mil vítimas no total.

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