Why so serious?

Análise das polêmicas em torno do filme Coringa

Por Marina Dalton

Coringa, dirigido por Todd Phillips, chegou ao Brasil há duas semanas. Desde antes da estreia, já havia expectativas e opiniões divergentes sobre a construção e direcionamento do filme. Parte do público enaltece a visão humanizada e realista que é conferida ao vilão, enquanto outras pessoas criticam a violência e a tentativa de abordagem social. O longa-metragem, já premiado e ovacionado no festival de Veneza, provoca pensamentos discordantes.

Um ponto de convergência das opiniões é a atuação de Joaquin Phoenix. Entregue ao personagem, cria uma atmosfera de desconforto constante e possibilita uma identificação gigantesca com o filme. O espectador é cativado e levado a compreender o Coringa como um ser humano – doente, mas humano -, que é justamente a proposta do diretor do filme. Phoenix cumpre seu papel de forma espetacular.

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Quando a balbúrdia é bem feita

Diante das acusações e ameaças de cortes orçamentários, o Enade deu nota máxima a 15, de 17 cursos, da Universidade de Brasília.

Por Lara Costa

      No dia 8 deste mês, saiu a mais recente avaliação do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em relação aos cursos da Universidade de Brasília. Dos 17 cursos analisados, quinze receberam nota máxima (5), entre eles: Serviço social (noturno e diurno); Turismo; Ciências Econômicas; Direito (noturno e diurno); Psicologia; Publicidade e propaganda e Jornalismo.

     Há alguns meses atrás, no dia 30 de abril, era anunciado o corte orçamentário de 30% em, primeiramente, três universidades públicas: a Universidade de Brasília, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal da Bahia, sob julgamento de “balbúrdia” pelo ministro da educação, Abraham Weintraub. Este justificou seu julgamento com a seguinte frase: “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo” disse o ministro no mesmo dia que os primeiros cortes foram anunciados.”. Pouco tempo depois, o corte orçamentário foi anunciado nas demais universidades do Brasil.

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Conto do bom senhor

A irresponsabilidade de Silvio Santos como apresentador leva meninas de 7 a 8 anos à exposição desnecessária na TV aberta

Por Camilla Fernandes

“Acho Silvio um irresponsável social”, declarou Pedro Cardoso em seu perfil no Instagram. O ex-ator da globo se mobilizou diante da atitude problemática do apresentador e proprietário do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) ao colocar em julgamento os corpos de cinco meninas em rede nacional.

Com mais de 60 anos de carreira Silvio Santos coleciona registros televisivos de seu comportamento esdrúxulo, onde propaga ideais imorais e expõe crianças.

O apresentador estreou seu primeiro programa, Vamos Brincar de Forca, em 1962 e, desde então, tem mostrado um comportamentos seriamente questionável, como no episódio com a cantora Cláudia Leitte, em que Silvio declarou não abraçá-la para não ficar excitado.

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ALARMA TV, JORNAL SEM JORNALISMO

Atração importada dos EUA pelo SBT causa polêmica em breve passagem pela TV brasileira     

Por Joana Diniz

O SBT tem sido alvo de polêmica nos últimos dias.  Além das falas problemáticas de Silvio Santos, dono e apresentador da emissora, o Alarma TV, considerado o telejornal mais violento do mundo, virou a mais nova atração da casa.  

Produzido pela Estrella TV, emissora norte-americana focada em produção de conteúdo para o público hispânico dos Estados Unidos, faz parte do editorial do Alarma TV (seu nome nos EUA?): assassinatos, mulheres seminuas em frente às câmeras e diversos atos bizarros. O dito telejornal pode ser facilmente confundido com uma versão adulta e apelativa das famosas video-cassetadas, popularizadas no Brasil por Fausto Silva, o Faustão.  

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A equidade que lute

Modo como jornais tradicionais retratam mulheres que se tornam mães está longe de ser o justo

Por Talita de Souza

Na Semana de Moda de Paris, Isis Valverde desembarcava na cidade francesa para assistir o desfile da marca, também francesa, Dior. Apesar do evento ter atraído outras atrizes brasileiras, foi a presença de Ísis sem o filho que chamou a atenção do jornal O Globo.

Isis Valverde deixa o filho, Rael, com o marido no Rio para ir ao desfile da Dior em Paris foi o título escolhido pelo veículo carioca, em contraste a outro assunto da matéria – e com maior relevância para o evento -, a experiência de Isis no desfile e a sua opinião sobre a nova coleção. A notícia viralizou no Twitter e causou polêmica

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Brasil continua em chamas

Incêndios da Floresta Amazônica chegam à vila de Alter do Chão, no Pará

Por Isabela Oliveira

Um dia se noticia que Alter do Chão é um dos destinos procurados no mundo para lazer e palco da manifestação cultural mais antiga da Amazônia, o Sairé. No outro, a vila localizada na cidade de Santarém, no Pará, tem sua floresta destruída pelas chamas. Assim como recentes queimadas na Floresta Amazônica, o fogo chegou à cidade paraense no dia 14 de setembro. O foco chegou a ser diminuído, mas voltou no dia seguinte. Na tarde do dia 17 de setembro, a tragédia foi controlada. Apesar das recentes tragédias em toda Floresta Amazônica estarem sendo noticiadas, a mídia esquece-se de todos os seres que nela vivem: fauna, flora e as pessoas.

As chamas ocorreram dentro de uma área de proteção ambiental (APA), de difícil acesso e às margens do rio Tapajós, o que facilitou a propagação. O governo do Estado do Pará, inclusive, pediu ajuda à Força Nacional. A polícia já está investigando a origem do incêndio, e segundo o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, pessoas de dentro da APA podem ter ateado fogo para comercializar a área de forma clandestina. Contudo, segundo com a polícia, não há indícios de que o incêndio tenha sido criminoso. Por outro lado, a mídia não fala de duas coisas: as espécies endêmicas que só existem na região e a aldeia dos indígenas Bocari, que está em risco.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a cidade de Alter do Chão, considerada o “Caribe da Amazônia”, recebe em média 60 mil turistas por ano. A vila, além de ser um atrativo por suas belas praias, também é palco do Sairé, todo mês de setembro. O festival é um dos mais antigos da região e traz o artesanato local, comidas típicas e apresentações artísticas.

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Foto: Reprodução/ Santarém Tur

Atualmente, a festa tem um sentido que une o sagrado e o profano. O Sairé une rezas e ladainhas, com apresentações artísticas usando símbolos como os botos Tucuxi e Cor de Rosa. A manifestação cultural atrai turistas de todos os lugares, além de movimentar a economia local. A Ilha do Amor é um dos cartões postais da vila.

As queimadas já são as maiores registradas na Floresta Amazônica. São 72.843 pontos mapeados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Instituto Socioambiental (ISA) fez um levantamento dos focos de incêndio e as terras indígenas mais afetadas.

O portal de notícias UOL trouxe uma matéria de maneira clara e bem explicativa do que está acontecendo com as florestas e as principais causas políticas envolvidas. O desmatamento aumentou – principalmente em relação à valorização da agricultura -, as queimadas subiram em 60% neste ano, os fiscais não têm mais reconhecimento de sua autoridade para exercer seu trabalho, a exoneração do diretor do Inpe e a perda de verba internacional que a Amazônia costumava receber são algumas das causas.

Além disso, o portal deixou muito claro a preocupação do governo com a repercussão mundial das queimadas e está controlando ainda mais as instituições ambientais.  Há quase dois meses, a tag #PrayForAmazonas esteve no primeiro lugar dos assuntos mundiais no Twitter. A hashtag foi uma forma dos internautas denunciarem e sensibilizarem todos os usuários que ainda desconheciam a situação das queimadas. 

Vários jornais internacionais como El País e The Guardian expuseram a condição. Além disso, o representante do executivo francês, Emmanuel Macron, criticou a postura de Jair Bolsonaro e enfatizou que os incêndios são uma emergência internacional. As principais críticas ao governo brasileiro são expostas por toda mídia em relação à culpa que o presidente insiste em colocar nas ONGs. Verbas para as Organizações não Governamentais foram cortadas, e a fala irresponsável de Bolsonaro reflete em uma culpa que não existe. A justificativa do militar é que organizações estariam chamando atenção para o fato de não terem apoio governamental. 

Ademais, esquece-se mais uma vez dos povos indígenas que vivem na área. A mídia mal toca nesse ponto. Não há menção aos possíveis culpados e as investigações ainda estão sendo feitas, por isso não se sabe a origem das queimadas. Há loteamento ilegal na região, invasões de terras e, por fim, uma guerra agrária. Afinal, o agronegócio cresce cada vez mais, sendo a principal causa quando se trata de desmatamento, por exemplo. 

A responsabilidade midiática pesa mais uma vez. Ao noticiar, seja críticas ao governo ou o andamento das investigações, os meios de comunicação se esquecem que parte da população perde seu território e todo o Brasil sofre com o clima. A Amazônia pode não ser responsável por todo o oxigênio do mundo, mas é sim pela formação de chuvas no país, a umidade de toda América do Sul, contribui para estabilizar o clima global e tem a maior biodiversidade do planeta.

De acordo com Inpe e a Nasa, as consequências são certas para o clima: aumento da temperatura, o Sudeste pode se tornar um deserto e o acúmulo de monóxido de carbono na atmosfera fará com que se respire um ar parecido com o vulcânico. Falta comprometimento dos meios de comunicação em alertar isso, mas também governamental para amenizar a situação. O que se perdeu de mata verde, não dá para recuperar.

Todo mundo está muito euphorico!

“Não é fácil, muito menos agradável de assistir (…) Possui uma atração inegável, é intrigante e não dá para ignorar” (Variety, 2019)

Por Catarine Cavalcante Torres

“Euphoria não é para todos”, declarou Casey Bloys, presidente de programação da HBO. A afirmação se deu após o Conselho Parental de Televisão dos Estados Unidos fazer um pedido para que a recém estreada Euphoria fosse tirada do ar, sob acusação da emissora “estar publicamente, intencionalmente comercializando conteúdo adulto extremamente gráfico – sexo, violência, profanação e uso de drogas – aos adolescentes e pré-adolescentes”, mesmo sendo amplamente divulgado que o público visado pela série, bem como reafirma sua classificação indicativa, é a população maior de idade.

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