Liberdade de imprensa X Violência em discurso

Trabalho de ética de Loranny Silva Costa de Castro

De modo crescente, manifestações pessoais e expressões de opinião têm preenchido a realidade: seja em redes sociais, diálogos cotidianos ou intervenções urbanas. Contudo, existe uma linha tênue entre expressão e apologia, expressão e discurso de ódio, expressão e agressão. Ao tratar-se de pessoas influentes – líderes de opinião, surge um ar de responsabilidade ainda mais significativo na hora de se “expressar”.

Dentro do ambiente jornalístico, existe a chamada “Noção de Objetividade” que, dentre outras, é utilizada como ritual estratégico de proteção pelos jornalistas, segundo Gayle Tuchman. Mais especificamente, a noção de objetividade, que inclui imparcialidade, credibilidade das informações transmitidas e vericidade dos fatos, deve ser utilizada como princípio orientador dentro do jornalismo em geral.

Entretanto, na Comunicação, o discurso – muitas vezes – imoral e infrator não somente aos direitos humanos como ao Código de ética dos Jornalistas Brasileiros, é preocupante. Banalmente vistos como observações sobre a realidade ou simplesmente opinião, discursos de ódio – sejam sobre política, questões de sexualidade, raça, gênero e, principalmente, sobre violência – não devem ser repassados e difundidos, principalmente publicamente, especificamente a partir de figuras públicas ou formadoras de opinião. Sejam as lições de moral sem moral dadas por Rachel Sheherazade, sejam as insinuações dadas em “jornais” nitidamente sensacionalistas e adeptos à Lei de Talião, o discurso de ódio, a imparcialidade influenciadora e a representatividade oferecida de forma impositiva, não devem fazer parte da mídia contemporânea.

Aplicando Hannah Arendt, violência nunca será sinônimo de poder, pois esta é fundamentalmente instrumental e, quando aplicada por alguém que tem poder, apenas pode conferir mais violência: mais violência aos atacados e mais violência ao comando de ataque, pois esta parte de um contra todos.

O modelo Two-step-flow, de Paul Lazarsfeld, pode ser aplicado para ilustrar a relação entre jornalista (líder de opinião, no caso) e público receptor não somente de mensagens, mas de todo o contexto e todas as implicações trazidas por elas. Assim como mostra a obra citada acima a partir de uma pesquisa empírica, líderes de opinião funcionam como o ápice da participação e conhecimento sobre determinado assunto. Desta forma, possuem enorme credibilidade (ainda que inconsciente) para exercer comportamento influentes e estabelecer relações psicológicas pessoais e imparciais com o público.

É necessário, antes de emitir qualquer “opinião” ou fazer alguma observação em via pública, respeitar as legitimidade de um determinado território como, por exemplo: direitos humanos e civis. Assim como verificado na Teoria Hipodérmica, os Efeitos da comunicação são considerados como os problemas de diversas teorias e situações empíricas. No caso da Two-step-flow, a influência é o fator principal em jogo. Como figura pública – seja revestida em programa de humor, seja o âncora de um jornal, o jornalista ou o líder de opinião deve conhecer seu público, sabendo quais podem ser as consequências do que se diz, do que se cita. O discurso de ódio não cabe ao jornalismo, não cabe em uma sociedade civil, não cabe num sistema democrático.

 

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