Alckmin e o sigilo do metrô

Por Celimar de Meneses

Em ano de eleições, como se sabe, promessas são feitas. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não fez diferente quando se elegeu há 5 anos. Naquela época o governador já prometeu de cara dar ao paulistano mais 100km de linhas de metrô. Promessa bem recebida pelos que sofrem todos os dias no engarrafamento.

Obras de infraestrutura atrasadas não são incomuns, neste país o normal já é que atrasem, as autoridades devem pensar que se entregam a obra de vez, da a entender que foi malfeita, ou vai ver gostam de deixar todos ansiosos. Especulações a parte, no fim do primeiro mandato Alckmin entregou 78km e prometeu, caso reeleito em 2014, terminar os 100km que havia prometido quatro anos antes.

Reelegeu-se. O que não foi falado é que um pouco antes do processo eleitoral, a gestão Alckmin publicou uma tabela de classificação de documentos, entre eles alguns referentes a falhas no metrô, ônibus e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM); que foram classificados como ultrassecretos.

A classificação ultrassecreta geralmente é usada para arquivos das forças armadas e relatórios do Itamaraty, e determina que o documento só pode ser consultado pela população após 25 anos da data de publicação. Ou seja, um documento que saia este ano, só será público em 2040. Deve ser usada em arquivos que comprometam a segurança da sociedade e do estado, e é o grau máximo de sigilo na lei federal de Acesso à Informação.

Entre os documentos que o governo de SP classificou como ultrassecretos estão estudos de viabilidade, relatórios de acompanhamento de obras, boletins de ocorrência da polícia e até vídeos do programa cultural “Arte no Metrô”.

O jornal Folha de São Paulo tornou público o sigilo do governo na terça feira (6). Não demorou muito, o fato incomodou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Ministério Público, que cobraram esclarecimento. O sigilo foi revogado dois dias depois (8).

O governo de SP respondeu que o grau ultrassecreto serviria para proteger usuários e informações técnicas que exporiam falhas do sistema. Alckmin disse que não sabia que os documentos haviam sido classificados como sigilosos. Uma pergunta pertinente, que qualquer cristão faria é: se o governador não sabia, de quem foi a brilhante ideia?

Imagine se o grau ultrassecreto fosse usado para qualquer documento, os casos da lava jato só poderiam ser julgados daqui a um quarto de século, nunca se resolveriam problemas de corrupção, uma confusão. Ponto para a Folha de São Paulo, que cumpriu muitíssimo bem seu papel de impressa, reforçando o jornalismo como vigia da sociedade e de autoridades, prestando favor as faculdades de comunicação com exemplo de bom jornalismo.

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