Mídia seletiva

Por Maria Ferreira

Atualmente, o que se sabe depende, basicamente, de duas coisas: o que se vê com os próprios olhos e o que a mídia fala. A última, muitas vezes, não é tão honesta em relação à importância dos fatos, ao que a população quer saber e à mensagem que passa. É fato que emissora, site ou jornal impresso, por exemplo, precisa selecionar, de certa forma, o que se vai publicar no momento, dependendo da urgência, com o que acham que se quer saber e, obviamente, se chamará atenção do público.

O fato que atender aos critérios é liberado primeiro. O diretor da sucursal da Folha de S. Paulo em Brasília Leandro Colon em palestra no Auditório Pompeu de Sousa na Universidade de Brasília (UnB) segue o pensamento. “Não há como cobrir o todo, é uma ilusão achar isso. Temos que ver o que é mais importante para o leitor desse ou daquele jornal”, afirma.

A desonestidade ocorre quando seleciona só o que lhe trará leitores ou telespectadores e não tudo o que ocorre, de fato. Quando se é retirado o direito à informação, surgem defensores desse ou daquele acontecimento como ocorreu, em novembro de 2015, com as tragédias em Mariana-MG e em Paris, França.

Há grandes debates nas redes sociais. Uns falam que outros se importam mais com um fato do que com o outro como se vidas daqui ou de lá fossem menos ou mais importantes. A questão é que, para aquela mídia que está preocupada somente com o chamado furo de reportagem ou em noticiar mais rápido, as de lá, são mais importantes.

Também serve de exemplo o julgamento da Presidenta Dilma Rousseff (PT) no Senado, entre 29 e 31 de agosto, e com menor destaque que a votação do impeachment na Câmara. Um importante momento histórico, reflexivo e decisivo de País não teve a atenção merecida, fazendo-se prejudicar a informação e o curso que ela deve tomar. Nesse caso, a liberdade de expressão toma rumo contraditório, pois tudo que se deve dizer, para que se valha o direito de todo cidadão ter acesso à informação, não é dito.

A imprensa em si tem papel importante em vários movimentos. Há exemplos como Sabinada (1837-1838), que almejava descentralização política na Bahia, e Revolução Farroupilha (1836-1845), a qual lutava para pagar menos impostos e aumentar taxas alfandegárias sobre charque, sebo e couro no Rio Grande do Sul. Ele se dá no estímulo a debates, na produção de notícias e, principalmente, na documentação da História e continua a existir, para que a mídia não perca sentido.

Que os meios de comunicação noticiem e documentem sem escolhas, mas os fatos propriamente ditos, a fim de que informar não se torne apenas outro meio de corrupção.

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2 comentários sobre “Mídia seletiva

  1. Weime Dias disse:

    Análise interessante trazendo fatos que nos faz pensar nos acontecimentos passados e atuais, na mídia propriamente dita, que nos permite questionar! A ação corrupta parece estar em todas as esferas da sociedade mas, sempre a de ter alguém para incomodar, até mesmo na imprenssa!

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