Gilmore Girls e o empoderamento feminino nos anos 2000

Por Graziele Jardim

Gilmore Girls é uma série americana que estrou nas telinhas em outubro de 2000 e se manteve no ar por sete temporadas. A série tem como enredo principal a vida e o relacionamento entre uma mãe solteira e a filha.

Lorelai Gilmore nasceu em família rica e engravidou aos 16 anos. Não queria viver o estilo de vida da mãe ou se casar com o pai da filha Rory apenas pela gravidez. Queria independência não só financeira, mas também emocional e social, pauta importante do movimento feminista. Por isso, saiu de casa, arrumou emprego numa pousada como camareira e começou a jornada como mãe solteira.

Lorelai cresceu dentro da pousada e se tornou gerente. Criou a filha sozinha e sem dinheiro dos pais ou muita ajuda de Cristopher, pai da criança. Conquistou independência, construiu um lar para ela e a filha numa cidadezinha de Connecticut e abriu o próprio negócio em Stars Hollow.

Durante a série, o feminismo se faz presente diversas vezes. Em alguns momentos, completamente escancarados; noutros, de forma sutil. Logo no início, Rory explica porque tem o mesmo nome da mãe, Lorelai. “Ela conta que ainda estava deitada no hospital, pensando em como os homens dão seus nomes a seus filhos, e por que as mulheres não poderiam fazer o mesmo. Então ela diz que seu feminismo simplesmente assumiu o controle”, diz.

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O feminismo também aparece em muitas referências culturais da série, pois várias mulheres citadas são decididamente feministas. Outro ponto são personagens femininas da trama. Sempre fortes, com personalidades marcantes, inteligentes e audaciosas. Lane Kim, melhor amiga de Rory, arrisca tudo pelo sonho de se tornar estrela do rock. Paris Geller, também amiga de Rory, tem sonhos de ser bem-sucedida e dá tudo de si para alcançá-los, sempre se coloca em primeiro lugar. Lorelai é independente, lutou para construir uma vida estável e não mantem relacionamentos que não a fazem bem.

Uma das cenas mais marcantes da série é quando Richard Gilmore, pai de Lorelai, sofre um infarto e, por isso Emily, sua esposa e mãe de Lorelai, deve assumir certas responsabilidades. Ela bebe um pouco a mais e se abre com a filha. Conta que, quando mais nova, seu objetivo era casar, servir à família e cuidar do marido. Emily diz que a vida é como uma canoa e afirma que precisa do marido para remar junto a ela, pois assim foi ensinada e seguiu durante a vida. No fim, diz à filha que Lorelai está num caiaque, se tornou independente e consegue se mover sozinha, pois não precisa de ninguém para remar com ela, ela o faz sozinho.

As críticas ao machismo também estiveram sempre presentes em personagens ou referências. Luke e Cristopher representaram o macho-alfa mesmo que em características diferentes. Enquanto isso, Richard sintetiza o patriarca da família e problematiza o machismo vivo nas relações entre um homem e as mulheres da família.

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A série ficou no ar entre 2000 e 2007. Nesse período, o movimento feminista não era tão forte quanto hoje. Não haviam tantos filmes, séries e artistas abordando o tema, que ainda era um tabu para muitos. Para a época, Gilmore Girls foi sagaz, com enredo cheio de protagonismo feminino, muito diferente do que vemos até hoje nas telinhas.

Mulheres protagonistas, fortes, sonhadores e independentes. Muitos romances, que foram e vieram, mas que nunca foram o centro da trama. O que realmente importou foi a trajetória dessas mulheres, que cresceram e se transformaram durante sete temporadas. Em 2016, a série ganhou um revival pela Netflix: Gilmore Girls: Um Ano para Recordar. São quatro episódios e cada qual representa uma estação do ano.

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