#SOSNews Festival Piauí Globonews de Jornalismo

Por Victor Barbosa

No último final de semana, nos dias 7 e 8 de outubro, aconteceu em São Paulo mais uma edição do Festival Piauí Globonews de Jornalismo. Com o tema O Que Aprendi, a 4ª edição do evento trouxe nove jornalistas internacionais renomados para contar vivências profissionais, trazendo reflexões sobre a prática profissional e sobre a globalização, ao menos na parte ocidental do globo, de fenômenos como as fake news.

O primeiro a falar foi Samuel Laurent, diretor do Les Décodeurs, seção de checagem de fatos do jornal francês Le Monde, um dos principais veículos da França. Conversando com jornalistas brasileiros, ele descreveu como funciona o fact-checking na publicação francesa. Um dos pontos mais interessantes na fala de Laurent foi sobre a plataforma que o Les Décodeurs fez para verificar a veracidade não de notícias, como já é feito no Brasil, mas de sites. Outra parte relevante da fala do francês foi referente aos “fake debates”, termo não tão conhecido no Brasil, que diz respeito a debates fundados em informações falsas.

O repórter da revista The New Yorker na Casa Branca, Ryan Lizza, levou a discussão para a política americana. O americano contou como é cobrir o homem mais poderoso do mundo e quais as dificuldades de fazer isso, tendo em vista que esse alguém é Donald Trump.

Em seguida, a jornalista turca Gülsin Harman, da publicação On The Line, denunciou as dificuldades de trabalhar no país que mais prende jornalistas do mundo. Ela, que usa um pseudônimo para fugir da censura, criticou a incapacidade das redes sociais de proteger os jornalistas de ameaças.

A venezuelana Nathalie Alvaray, da emissora norte-americana para público latino Univision, narrou sua história profissional e as dificuldades que passou quando as mídias venezuelanas começaram a ser censuradas pela ditadura. Ela falou também das dificuldades dos latinos nos EUA, usando como exemplo o vídeo da jornalista da Univision que entrevistou um integrante da Ku Klux Klan e teve que escutar ameaças do americano.

Finalizando o primeiro dia, o reitor da Columbia Journalism School, Steve Coll, conversou a respeito de política e ensino, ressaltando as diferenças entre os ensinos no Brasil e nos EUA. No caso americano, a escola de jornalismo de Columbia acontece como uma pós-graduação de um ano, o que torna a comparação com outras faculdades de jornalismo um pouco difícil de ser realizada. Entretanto, o curso comandado por Coll é considerado o melhor do mundo.

No segundo dia, a editora-chefe da revista russa The New Times, Yevgenia Albats, comentou a possível interferência de Putin nas eleições americanas. “Quando Trump foi eleito, houve uma grande comemoração entre funcionários do governo”, disse ao explicar o porquê de acreditar que o presidente americano recebeu ajuda do governo russo. Ela também ressaltou as dificuldades de ser jornalista na Rússia. “Você sabe que todos os seus passos são acompanhados”, atestou. 

O vice-presidente de notícias e diretor editorial da rádio publica americana NPR, Michael Oreskes, explicou de onde vem o dinheiro responsável pela manutenção das rádios públicas americanas. De acordo com ele, aproximadamente 9% do valor total do orçamento vem do governo federal, o que permite a maior independência do Estado. Contou ainda que, ao contrário da venda de jornais impressos, o número de ouvintes das rádios cresceu nos últimos anos, um alento para os estudantes de jornalismo que têm interesse nesse meio de comunicação.

Criador de um dos mais famosos podcasts dos EUA, TrumpCast, Jacob Weisberg da revista Slate contou sobre a produção de podcasts. Além de dicas de produção, ele explicou alguns dos motivos que fizeram esse meio de comunicação crescer nos últimos anos.

Finalizando o evento, o recém-ganhador do prêmio Pulitzer, David A. Fahrenthold, conversou sobre a política americana, principalmente sobre Donald Trump, ressaltando que a eleição do empresário foi importante para o jornalismo, pois permitiu uma autocrítica e aumentou o interesse da população na veracidade das notícias.

No fim das contas, literalmente, o preço da passagem e do ingresso do evento foi compensado pela qualidade da programação. Para quem tem interesse em jornalismo, o Festival Piauí Globonews foi frutífero tanto para escutar experiências, quanto para fazer networking. 

Foto de capa: reprodução/Festival Piauí Globonews de Jornalismo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s