Por que o mundo não reza pelo Haiti?

Por Tamires Mendes

Motivos para gerar grande comoção humanitária, infelizmente, não são escassos quando o assunto é o Haiti. O país é desfavorecido desde as feições naturais à situação político-econômica. Nos noticiários mundias, aparentemente, só recebeu enfoque em 2010 quando foi atingido por uma série de sismos alcançando terremotos de 7.0 na escala de magnitude e deixou 316 mil mortos e 350 mil feridos, de acordo com o portal de notícias G1G1.

Os desastres naturais dessa nação são inevitáveis, devido à localização, uma vez que se encontra em área de intensa movimentação de placas tectônicas. Depois dessa catástrofe, o Haiti continuou a sofrer com as condições naturais e suas consequências, isto é, o Estado se encontra no meio de uma placa tectônica, o que pode provocar terremotos e maremotos, tal qual se apresenta no livro de geologia Para entender a Terra.

O Haiti vive decadência politica e econômica desde o fim da época colonial, quando era explorado por espanhóis e franceses. Entre 1791 e 1804, escravos haitianos se rebelaram e usaram os sistemas de crenças e religião como motivação e solidariedade para derrubar os franceses. Foi a única revolta de escravos bem-sucedida. Desde então, o mundo eurocêntrico parece ter o ego de poder extremante abalado, o que faz com o que o país pague por séculos pela coragem perante sistemas econômicos.

O mundo fez das armas de independência haitianas, as maiores piadas e contos de terror, a fim de pregar um péssima imagem desse país. Em inúmeros filmes e histórias, por exemplo, pode-se ver satirizações de vodu. Por séculos, foi endemoniado sem ao menos ter o verdadeiro conteúdo exposto ao mundo. Ideais de igualdade, liberdade e fraternidade da Revolução Francesa (1789) são ensinados nas escolas, tal qual mostra o portal Ebony. Porém, a primeira revolução escrava bem-sucedida não costuma ser abordada.

Após a independência haitiana, houve intervenções norte-americanas, golpes militares, ditaduras e guerras civis, todas, de certo modo, assistidas pelos Estados Unidos. Até 2003, o país estava sob poder de um golpe militar. No entanto, a democracia conseguiu se restabelecer.

Durante toda a calamidade politica, o país foi massacrado por desastres naturais, violência civil, criminalidade elevada e miséria. O Haiti ainda sofre com surtos de doenças como cólera. A presença de tropas internacionais, incluindo Brasil, e de diversas ONGs coordenadas por atrizes como Evanna Lynch e Bonnie Wright, por exemplo, é constante, a fim de prestar serviço humanitário. A Organização das Nações Unidas (ONU) também de mostra em posto quando se trata de ajudar o país, mas, as tropas recentemente lida com acusações de abuso sexual.

Na última semana, outro terremoto, de 4.0 na escala de magnitude, atingiu o país e matou 1000 pessoas e levantou questões sobre por que o mundo não reza – ou reza pouco – pelo Haiti. A pergunta pode ter diversas respostas como “Haiti não tem tanto capital para ser lembrado todos os dias por todos os seus desastres” ou “talvez, Haiti não seja branco o suficiente para ser colocado nas orações em igrejas góticas europeias. Além disso, é possível que o mundo queira continuar a fazer o que sempre fez com a população haitiana: fingir que não existe.

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